Wisdom – Telegram
"(...) and the Sphere it self shews that it was delineated in the time of the Argonautic expedition; for that expedition is delineated in the Asterisms, together with several other ancienter Histories of the Greeks, and without any thing later. There's the golden RAM, the ensign of the Vessel in which Phryxus fled to Colchis; the BULL with brazen hoofs tamed by Jason; and the TWINS, CASTOR and POLLUX, two of the Argonauts, with the SWAN of Leda their mother. There's the Ship ARGO, and HYDRUS the watchful Dragon; with Medea's CUP, and a RAVEN upon its Carcass, the Symbol of Death. There's CHIRON the master of Jason, with his ALTAR and SACRIFICE. There's the Argonaut HERCULES with his DART and VULTURE falling down; and the DRAGON, CRAB and LION, whom he slew; and the HARP of the Argonaut Orpheus. All these relate to the Argonauts. There's ORION the son of Neptune, or as some say, the grandson of Minos, with his DOGS, and HARE, and RIVER, and SCORPION. There's the story of Perseus in the Constellations of PERSEUS, ANDROMEDA, CEPHEUS, CASSIOPEA and CETUS: That of Callisto, and her son Arcas, in URSA MAJOR and ARCTOPHYLAX: That of Icareus and his daughter Erigone in BOOTES, PLAUSTRUM and VIRGO. URSA MINOR relates to one of the Nurses of Jupiter, AURIGA to Erechthonius, OPHIUCHUS to Phorbas, SAGITTARIUS to Crolus the son of the Nurse of the Muses, CAPRICORN to Pan, and AQUARIUS to Ganimede. There's Ariadne's CROWN, Bellerophon's HORSE, Neptune's DOLPHIN, Ganimede's EAGLE, Jupiter's GOAT with her KIDS, Bacchus's ASSES, and the FISHES of Venus and Cupid, and their Parent the SOUTH FISH. These with DELTOTON, are the old Constellations mentioned by Aratus: and they all relate to the Argonauts and their Contemporaries, and to Persons one or two Generations older: and nothing later than that Expedition was delineated there Originally. ANTINOUS and COMA BERENICES are novel. The Sphere seems therefore to have been formed by Chiron and Musæus, for the use of the Argonauts: for the Ship Argo was the first long ship built by the Greeks." - Isaac Newton, The Chronology of Ancient Kingdoms Amended
"So then, the believing that the world was framed by one supreme God, and is governed by him; and the loving and worshipping him, and honouring our parents, and loving our neighbour as our selves, and being merciful even to brute beasts, is the oldest of all religions: and the Original of letters, agriculture, navigation, music, arts and sciences, metals, smiths and carpenters, towns and houses, was not older in Europe than the days of Eli, Samuel and David." - Isaac Newton, The Chronology of Ancient Kingdoms Amended
"A impossibilidade metafísica ou absoluta é a que se refere à mesma essência das coisas; por outra, um facto é absolutamente impossível, quando sua existência envolver consigo o absurdo: ser e não ser ao mesmo tempo. Um círculo triangular é um impossível absoluto; porque seria e não seria ao mesmo tempo um círculo; porque seria e não seria um triângulo. (...)

(...) O que é absolutamente impossível não poderia existir em caso algum. Quando dizemos que Deus é omnipotente, não queremos dizer que haja nele o poder de fazer absurdos. A existência e a não existência ao mesmo tempo, do mundo, de Deus, o vício virtuoso e outras incoerências desta ordem, evidentemente não podem estar debaixo da ação da omnipotência. Como muito bem observou Sto. Tomás, devemos dizer que tais coisas não podem ser feitas e não que Deus as não pode fazer. (...)

(...) A afirmação duma impossibilidade absoluta implica ideia perfeitamente clara de termos julgados contraditórios. (...)

(...) A impossibilidade física ou natural consiste em um facto estar fora das leis da natureza. (...)

(...) Deus, que estabeleceu estas leis, tem poder para as suspender, o homem é que o não pode. O que naturalmente é possível para Deus, não o é para a criatura. (...)" - Jaime Balmes, O Critério
"O herói sofocliano não encontra posição no mundo em função dos valores elevados que defende: bravura e honra. São aspectos pelos quais ele guerreia desde Homero, e que lhe conferem aura sublime. O isolamento em que se mantém é absoluto e é por causa dessa condição extrema que o admiramos. Nada demove Ájax, Antígone ou Filoctetes da decisão extrema, e não estranhamos o horror que o argumento de conveniência lhes desperta, ou a mera hipótese do acordo apaziguador. A solução é a que defendem ou a única saída que lhes resta é a morte. Não se trata propriamente da defesa do valor pessoal, mas da manutenção de um código de valores sublimes criados no âmbito da sociedade aristocrática homérica. A beleza dos referenciais elevados transforma a morte num ato igualmente belo. (...) Nesse sentido, a morte não significa impossibilidade, mas necessidade, não simboliza o final da vida, mas seu coroamento. (...)

Antígone representa a têmpora do heroísmo homérico, a inflexibilidade que encontramos em Aquiles ou Ájax. A tensão interna de Medeia é de outra natureza, nova na tradição poética grega. Seu isolamento tem a ver com o sentimento de solidão e abandono, com uma desestruturação de uma ordem sujeita ao oportunismo. Sua reação inédita diante de motivações vazias da grandeza do heroísmo tradicional é responsável pela concepção original da peça. (...)

Jasão não teria tido conhecimento suficiente para manter-se vivo, conhecimento este que Medeia se mostrou dotada, ao lhe propiciar o sucesso. É o valor da sophía que parece estar em jogo; é o reconhecimento desse valor que no fundo Medeia reivindica. Não é um conceito propriamente heroico o que está presente. Em Homero ou em Sófocles, os personagens solicitam o reconhecimento de valores tradicionais, como bravura ou ritos imêmores. Medeia requer o reconhecimento de um traço intelectual seu, responsável pela sobrevivência de Jasão. (...)

Eurípides nos dá a impressão de não escrever propriamente peças trágicas, mas de exercitar e pesquisar novos parâmetros do texto dramático. (...) Ela deixa de ser a manifestação do monstruoso (desvelamento da pequenez humana diante da magnitude divina), para se tornar a expressão da monstruosidade (desvelamento da patologia anímica do homem diante de si mesmo)." Eurípides, Medeia - Trajano Vieira, O Destemor de Medeia e o Teatro de Horror
"O teatro grego é de origem religiosa; nunca houve dúvidas a esse respeito - as tragédias, e em certo sentido, também as comédias - foram representadas assim como se realizam festas litúrgicas. (...) Podemos continuar adotando a genial intuição de Nietzsche: a tragédia grega é a transformação apolínea de ritos dionisíacos. (...)

O teatro grego é mais retórico e mais lírico do que o moderno. Os discursos extensos que os gregos não se cansavam de ouvir, seriam insuportáveis para o espectador moderno, que prefere, ao ouvir discursos, ver e viver a ação. O grego, ao que parece, frequentava o teatro para se deixar convencer da justeza de uma causa, como se estivesse assistindo à audiência do tribunal ou à sessão da Assembleia. (...)

Assim, a tragédia era uma discussão parlamentar, na qual se debatia, lançando-se mão de todos recursos para influenciar o público, um mito da religião do Estado. Considerando-se isto, as concorrências dos poetas, que apresentaram peças, perdem o caráter de competição esportiva: a vitória não cabia ao maior poeta ou à melhor poesia dramática, mas à peça que impressionava mais profundamente; quer dizer, à peça em que o mito estava reinterpretado de tal maneira que o público se convencia dessa interpretação e - podemos acrescentar - por isso o Estado a aceitava. Tratava-se de um acontecimento religioso-político que ocorria uma só vez. O teatro grego não conheceu representações em série. Com a representação solene, a causa estava julgada, a lei votada. O verdadeiro fim do teatro grego - assim reza a tese sociológica - era a sanção duma modificação da ordem social por meio de uma representação do mito.

Esta interpretação do teatro grego não pode ser, evidentemente, de aplicação geral. Não se aplica, pelo menos em parte, ao teatro de Eurípides; só nesse sentido esse grande poeta representa a decadência do teatro grego. (...) Talvez seja mesmo impossível dar uma interpretação geral do teatro grego, porque não o conhecemos suficientemente. Só conhecemos o teatro ateniense, e deste, apenas poucas peças, de três dramaturgos. Mas entre eles está o maior de todos, aquele que criou o verdadeiro teatro grego e já representa o seu apogeu. O sentido profundo do teatro grego revela-se em Ésquilo.

Ésquilo é poeta duma época na qual religião e política, Estado e família se confundem, porque os elementos dessa equação ainda têm feição arcaica. O Estado, em Ésquilo, é uma federação de famílias da mesma raça, ligadas pelo culto dos mesmos deusas. São conceitos primitivos, de aristocracia homérica, governando a Pólis, a Cidade. Mas essa Cidade de Atenas está se democratizando, e com o advento de novas classes sociais modificam-se os conceitos de culto e de direito. A época homérica, 'iluminada pelo sol sobre o mar Jônio', parece agora um passado noturno, desumano. (...) Na época de Ésquilo, as leis primitivas da família, do clã, chocam-se com a consciência humana; daí a força trágica de Os Sete contra Tebas, talvez a peça mais trágica do teatro grego. (...) O teatro de Ésquilo trata, deste modo, de destinos coletivos, não de indivíduos. Por isso é capaz de representar os grandes conflitos na Cidade e decidi-los por reinterpretações do mito. Porque o mito continua como símbolo supremo da ligação entre o mundo divino e o mundo humano. Nada se modifica no mundo humano sem modificação correspondente no mundo divino; o Estado precisa da sanção mitológica dos seus atos, e é o teatro que lhe permite o uso dinâmico dos mitos para sancionar a nova ordem social. A Oréstia é simultaneamente tragédia familiar, política e religiosa: na família de Agamêmnon e Clitemnestra, a lei bárbara da vingança leva ao assassínio e à loucura; mas o julgamento de Orestes pelo Areópago, o tribunal do Estado, vencem os novos deuses da Cidade sobre as divindades noturnas. As 'fúrias' se transformam em 'eumênides' e esse eufemismo religioso é a sanção religiosa do novo direito. A Oréstia é a maior tragédia política de todos os tempos. Mas não é só isso.
No mundo de Ésquilo, a vida humana e o mito estão numa ligação íntima; os deuses participam, até pessoalmente dos atos políticos e forenses. Mas a religião de Ésquilo, baseada em tradições meio políticas, meio literárias, apresenta-se sem dogma; a religião grega nunca conheceu dogma. (...) A filosofia religiosa de Ésquilo é vaga, oscilando entre o terror cósmico e a consciência ética. (...) Não falam indivíduos pela boca dos seus personagens, e sim céus e infernos, raças e eras. (...) É uma linguagem inconfundível, pessoal, que nenhum outro poeta grego soube imitar. Ésquilo fala por todos; mas é indivíduo, o primeiro grande indivíduo da literatura universal. Por isso, soube dar os acentos de simpatia mais pessoais ao revoltado Prometeu Agrilhoado; por força de sua religião, Ésquilo devia condenar o rebelde contra a ordem divina, mas por força da sua poesia sentiu e compreendeu a dor do vencido, transformando-o em símbolo eterno da condição humana." - Otto Maria Carpeaux, A História da Literatura Ocidental, Vol I.
"A ciência fornece algumas noções sobre as propriedades da luz; nós aplicamos muitas vezes essas propriedades; mas a essência da luz, qual é ela? sabemos dirigir, até apressar a vegetação; mas que sabemos da natureza e segredos deste maravilhoso fenómeno? Fazemos uso dos nossos sentidos, conservamo­-los e ajudamo-los; porém os mistérios da sensação nos são desconhecidos. Conhecemos, em geral, as substâncias nocivas ou salutares ao corpo; mas ignoramos por que é que tais substâncias são úteis ou prejudiciais. Temos acabado? Calculamos o tempo de mil modos, e no entanto a metafísica ainda não logrou definir o tempo. Existe uma ciência chamada geometria, ciência elevada a um alto grau de perfeição, e a idéia fundamental desta ciência, a extensão não se pode compreender. Vivemos no espaço; todo o universo se move no espaço; medimo-lo; submetemo-lo a rigorosos cálculos; e nem a metafísica, nem a ideologia sabem dizer em que o espaço consiste, se é cousa distinta dos corpos, se é simplesmente uma idéia, se tem natureza própria. Não sabemos se ele é um ser, ou se não é coisa alguma. Pensamos, e não sabemos o que vem a ser o pensamento; as idéias geram-se em nossa inteligência, e não sabemos o que é uma idéia. O espectáculo do universo, em toda a sua variedade, em todo o seu esplendor se desenrola em nosso cérebro como em magnífico teatro. Aí, uma força incompreensível cria, segundo nossos caprichos, mundos fantásticos, ora sublimes e cheios de belezas, ora cheios de extravagâncias, e não sabemos nem o que é a imaginação, nem o que são estas prodigiosas cenas, nem como aparecem ou se esvaem. Há uma multidão de afeições de que temos consciência íntima, profunda, invencível, a que chamamos sentimentos. Mas que é um sentimento? Podemos dizê-lo? O que ama sente amor, e não sabe o que é o amor." Jaime Balmes, O Critério
"Sófocles estava consciente da natureza precária da sua solução. Não se afasta da realidade, não mente. A dor trágica no Philoctetes, revela-se como instrumento da vontade divina, como instituição deste mundo, e ao homem só esta a elegia: "Nunca ter nascido seria o melhor; mas se vives, melhor é voltares, quanto antes, para o lugar de onde vieste." Contudo, o pessimismo de Sófocles - um crítico moderno fala de 'visão pavorosa da vida' - não é absoluto; porque pelo sofrimento, e só pelo sofrimento, conseguimos a plena consciência da nossa situação no cosmo. Sem o conflito trágico com a lei do Estado, Antígone seria só uma criatura sentimental; o conflito lhe revela a força do seu imperativo de consciência que lhe impôs a resistência - e assim Antígone se tornou o símbolo permanente de todas as resistências." Otto Maria Carpeaux, A História da Literatura Ocidental, Vol I.
"Tucídides é um grande artista, e sua história tem a feição de uma tragédia. Poder, riqueza e glória da Atenas de Péricles estão no pórtico da obra. O ponto culminante é a oração fúnebre dos cidadãos atenienses mortos pela pátria, na qual Péricles celebra a Cidade como "escola da Grécia" e afirma: "Terra e mar não podem limitar nossa coragem: em toda parte erigimos a nós mesmos monumentos do bem e do mal. E por esta Cidade morreram esses heróis, conscientes do dever de não a deixar perecer." Mas Atenas pereceu. O discurso de Péricles é a peripécia, seguida imediatamente pela grande peste, começo da catástrofe, das distensões internas, dos crimes políticos e particulares, da confusão de todos os valores morais, descrita com palavras diretas, e contudo impassíveis, no famoso capítulo 82 do livro III, que se lê como um diagnóstico do nosso tempo. Tucídides não moraliza; e já não conhece intervenção do mito. A sua tragédia historiográfica de Atenas é a primeira tragédia moderna cuja ação se rege por motivos puramente humanos, e dos quais os mais poderosos é a ambição do poder: em Atenas, em Esparta, e em toda parte. Tucídides é o Maquiavel do mundo antigo: só a política prática importa a esse político militante - mas é um Maquiavel às avessas. O imperialismo foi o grande mal que destruiu os "monumentos do bem", de Atenas; e Tucídides, político vencido, não pretende indicar remédios que seriam ineficientes ou então contaminados pelo espírito da violência e da guerra civil. O Péricles de Tucídides não é um ideal proposto à prática política, e é, no entanto, mais do que uma lembrança idealizada de tempos mais felizes. É um fato, testemunha da grandeza tão bem fundada e, apesar disso, derrotada, de Atenas. Tucídides é um estóico avant la lettre; o reino da política ideal renovar-se-à, talvez em outra nação, em outra época que ele não verá. Talvez na Utopia." Otto Maria Carpeaux, A História da Literatura Ocidental, Vol I.
"Platão, porém, era essencialmente poeta. Mais poeta do que filósofo, porque a mera "compreensão" não o deixou satisfeito. O caminho da sua evasão política levou-o até os confins do mundo da razão, até o mito. Afinal, Platão é um grande espírito religioso. Não é fundador de uma academia; antes é o profeta de uma seita. Esta seita, porém, transformou-se em Humanidade." Otto Maria Carpeaux, A História da Literatura Ocidental, Vol I.
"E sucedeu que Alexandre, filho de Filipe, primeiro rei macedônio da Grécia, saindo da terra de Cetim, derrotou Dário, rei dos persas e dos medos, deu numerosas batalhas, conquistou todas as praças fortes e, com seu gládio, matou os reis da terra. Avançou até os confins do mundo, apoderou-se dos despojos das nações, e a terra emudeceu em sua presença." Quinto Cúrcio Rufo, A História de Alexandre
"Em comparação com o "gênio popular" Homero, Virgílio foi considerado como poeta da decadência, da falsa dignidade, incapaz de representar a vida real. É verdade que Virgílio pertence a uma época de decadência; e é justamente por isso que não quer reproduzir a realidade que lhe pretendem impor. É artista, inventa um mundo ideal, melhor, superior. Apresenta-nos santos e heróis artificiais, porque não existem outros. Não como romano, mas como intelectual romano, Virgílio é da resistência. Opõe ao caos moral da sua época os ideais do trabalho rústico ("Labor omnia vincit improbus"), da justiça imparcial ("Parecere subjectis et debellare superbos") e do amor ao próximo ("Non ignara mali miseris succurrere disco"). A ideia central da sua obra inteira é a utopia de uma "aetas aurea": utopia romântica nas Bucólicas, utopia social nas Geórgicas, utopia política na Eneida. Sente, com amargura melancólica, a distância entre esse ideal e a sua época crepuscular ("... cadunt, altis de montibus, umbrae"), e qualquer acontecimento insignificante, como o nascimento de uma criança, lhe sugere logo esperanças indefinidas de um futuro melhor, como naquele verso - "Magnus ab integro, saeclorum nascitur ordo" - da Écloga IV das Bucólicas. Então aquele crepúsculo melancólico aparece como aurora esperançosa de uma nova era, e o poeta pagão Virgílio, insatisfeito com a religião oficial e os sistemas filosóficos, ergue a voz como um profeta no Advento. Com efeito, todos os séculos cristãos interpretaram a Écloga IV como profecia pagã do nascimento de Cristo. Compararam-se as viagens mediterrâneas de Enéias às do apóstolo Paulo, a fundação da "Urbs" à da Igreja. Lembrou-se a unificação do Império Romano por Augusto, o soberano de Virgílio, como condição indispensável da missão do cristianismo. A Idade Média não sabia explicar a profecia e o gênio de Virgílio senão transformando-o em feiticeiro poderoso, em herói de inúmeras lendas; em Dante, Virgílio já é o representante da "Razão" pagã, não batizada, mas "naturaliter christiana", e iluminando todo o mundo latino e católico. Chamaram a Virgílio "Pai do Ocidente." Otto Maria Carpeaux, A História da Literatura Ocidental, Vol I.
"A religião sempre foi e ainda é a preocupação geral da humanidade. Os legisladores fizeram dela a base de suas constituições; os sábios tomaram-na por objecto de seus estudos mais profundos; os monumentos, as leis, os escritos dos séculos passados atestam as tendências religiosas do espírito humano; as obras teológicas enchem as bibliotecas, e ainda hoje em dia a imprensa não cessa de as multiplicar. Mas eis o parecer do indiferente: "Tempo perdido! Diz ele, questões fúteis! Para julgar, que preciso eu conhecer? Estes sábios são uns insensatos, estes legisladores são uns néscios, a humanidade inteira é uma miserável ilusa, todos perdem lastimosamente o tempo em questões que nada importam." Oh! Orgulhosa fraqueza! Deplorável degradação do espírito humano! Parece-me ver os sábios e legisladores de todos os tempos levantarem-se e responder: "Quem és tu para assim nos ultrajar, para desprezar os mais profundos sentimentos do coração, as mais queridas tradições da humanidade, para declarar sem importância o que sempre foi a preocupação da terra inteira? Quem és tu? Descobririas por ventura o segredo de vencer a morte, pó que o vento dispersará amanhã? Sabes a sorte que te espera na região desconhecida, ou esperas poder mudá-la a teu bel-prazer? São para ti coisa indiferente o castigo ou a recompensa? E se existir esse juiz, de quem não queres ocupar-te, quando te chamar perante seu tribunal responder-lhe-ás que não te importas de suas determinações e existência? Antes de soltar essas palavras insensatas, passa uma vista sobre ti mesmo, pensa nessa débil organização que o mais débil acidente é capaz de transtornar, e que breve tempo basta para consumir! Assenta-se então sobre um túmulo, concentra te e medita!" Jaime Balmes, O Critério
"Existe uma sociedade que pretende ser a única depositária, a única intérprete das revelacões com que o céu favoreceu a raça humana. Pretensão tão alta deve chamar a atenção do filósofo que aspire à verdade.

Que sociedade é essa? dura há pouco tempo? Conta dezoito séculos de duração, e estes séculos não os considera senão como um período da sua existência, e, subindo mais acima, vai explicando sua ininterrompida genealogia, e se remonta até ao princípio do mundo.

Que esta sociedade conta dezoito séculos de existência, que sua história se confunde com a de um povo cuja origem se perde na mais remota antiguidade, verdades são estas tão certas como a existência das repúblicas de Roma e da Grécia.

Que provas apresenta ela em apoio da sua doutrina? - Está de posse do livro mais antigo que se conhece; este livro contém a mais pura moral, um admirável sistema de legislação, uma história cheia de prodígios. Até ao presente, ninguém tem posto em dúvida o mérito eminente deste livro, o que deve espantar tanto mais, quanto ele nos foi transmitido por um povo cuja civilização esteve longe de igualar a de muitas outras nações da antiguidade.

E não oferece a aludida sociedade outros títulos que justifiquem suas pretensões? Independentemente dos mais numerosos e imponentes testemunhos, eis um que só de per si bastaria: afirma que a transição da sociedade antiga para a moderna se efetuou do modo que anunciava o livro misterioso; que no tempo predito apareceu sobre a terra um Homem­-Deus, que foi ao mesmo tempo o complemento da lei antiga e o autor da nova lei; que a antiguidade não era mais que sombras e figuras e que este Homem-Deus foi a realidade; que fundou a sociedade que chamamos Igreja católica, prometeu-lhe sua assistência até à consumação dos séculos, selou com seu sangue a doutrina que trouxe à terra, quebrou, ao terceiro dia depois de seu suplício, as cadeias da morte, enviou seu Espírito, como prometera, e que há de vir no fim dos séculos para julgar os vivos e mortos.

É verdade que neste homem se cumpriram as antigas profecias? - É inegável. Ao ler algumas delas parece estar-se lendo as narrações evangélicas.

Este homem deu provas da sua divindade? - Atestam-na numerosos milagres; e o que ele próprio profetizou aconteceu ou vai ou vai acontecendo com maravilhosa exatidão.

Qual foi sua vida? - Passou sobre a terra espalhando o bem a mãos largas; desprezou as riquezas e o fausto, suportou com serenidade as privações, os ultrajes, os tormentos, a morte afrontosa, enfim: tanto a sua vida, como a sua morte foram superiores à fraca humanidade.

E sua doutrina? - Jamais o espírito humano se elevara tão alto; tal é a sua moral, que os seus mais violentos inimigos se têm visto forçados a fazer-lhe justiça e a inclinar-se diante dela.

Que mudança operou este homem na sociedade? - Recordai-vos do que era o antigo mundo romano, e vede o que o mundo é hoje.
Comparai os povos nos quais ainda não penetrou o cristianismo, aos que, desde séculos, têm vivido debaixo da sua influência e conservam ainda seus preceitos, bem que entre alguns se achem desfigurados.

De que meios dispôs ele? - Não tinha de seu onde repousar a cabeça; enviou doze homens escolhidos entre a ínfima classe do povo, nas mais humildes condições; estes dispersaram-se aos quatro ventos da terra, e a terra ouviu sua voz e teve fé!

Esta religião passou pelo crisol das perseguições? Não sofreu contrariedades de nenhuma espécie? - Aí está o sangue de infinitos mártires, aí os escritos de numerosos filósofos que a examinaram, aí os muitos monumentos que atestam as tremendas lutas que sustentou com os príncipes, com os sábios, com as paixões, com todos os elementos de resistência que era possível combinarem-se na terra.

De que meios se valeram os propugnadores do cristianismo? - O exemplo é a prédica, confirmados pelos milagres. E estes milagres não pode a crítica mais escrupulosa refutá-los; e se os refutara, resultaria disso o maior dos milagres, - a conversão do mundo sem milagres. O cristianismo sempre contou, e ainda hoje no número de seus filhos conta inteligências das mais elevadas, corações dos mais nobres. A civilização cristã foi muitíssimo além da civilização dos mais célebres povos antigos. Não há religião sobre que tanto se tenha disputado e escrito. As bibliotecas estão cheias de obras críticas, dogmáticas, filosóficas, científicas, literárias, obras capitais devidas a homens que humildemente submeteram a sua inteligência à disciplina da fé. Não se pode acusar o cristianismo de não ter florescido senão entre povos ignorantes e bárbaros; possui todos os caracteres de religião verdadeira, de procedência divina." Jaime Balmes, O Critério
"Apolo timbreu, délio e lício
residente no templo,
ó divina cabeça, vem
armado de arco, vem à noite,
ó guia da escolta, preserva
o varão, assiste os Dardânidas,
ó onipotente, ó construtor
dos priscos muros de Troia!

Vá aos navios, seja
espião da tropa grega,
e retorne aos altares
da casa do pai em Ílion.
Vá ante éguas de Ftia,
se rei mata Ares aqueu;
o Nume do mar as dá
a Peleu, filho de Éaco.

[...]

O imolador rasteiro imitador
quadrúpede de fera na terra
ferirá que aqueus nas tendas?
Mate Menelau! Mate
e leve a cabeça de Agamêmnon
a Helena para chorar mau aliado,
que contra a urbe,
contra a terra troiana veio
com a frota de mil navios!"
Eurípides, Reso