O Último Arconte ♄ – Telegram
O Último Arconte ♄
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Canal dedicado ao estudo de temas tradicionais e reflexões pessoais.
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Uma questão central para a Arte

Acho que eu subestimei o debate sobre o conteúdo produzido por IA ser arte. Ele é talvez o debate central de toda a arte. Pois conhecer é adequação do sujeito ao objeto. Fazer (poiesis) a expansão do sujeito sobre o objeto através de seus conceitos.

Quando o sujeito faz algo, é através daquilo que conhece; ele imparta um objeto em outro objeto, isso faz a arte morta, por isso Platão desgostou dos poetas na República. (O sujeito conhece o objeto A, então trabalha o objeto B à imagem de A, arte morta).

Que poderia, então, de subjetivo, ser imposto na obra artística? Nada? Então a arte feita por IA é arte. Algo? Então o que a IA faz não é arte, no máximo, arte morta.

Não é, portanto, uma questão sobre IA ou qualquer outro assunto normie, é se há arte viva ou se toda arte é morta.
Um norte para responder essa questão seria investigar a natureza de coisas como o numen, que quando vistas pelo homem enquanto homem, e não enquanto um observador separado que objetifica tudo, até a própria consciência, parecem fugir da objetividade.
Embora Deus seja tudo em tudo, a humanidade não é Deus. Pode-se, no entanto, admitir a afirmação de Hermes Trismegisto, em sólida compreensão. Ele disse que Deus é nomeado com o nome de todas as coisas e todas as coisas com o nome de Deus. Como resultado, uma pessoa pode ser chamada de deus feito humano.

-- Nicolau de Cusa, Sobre o Presente do Pai das Luzes, 2. (TH. 38a)
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Forwarded from Alexandria Apócrifa
Como! Este suposto grande arcebispo [ou seja, o Papa; em latim sacerdotum princeps; em grego [αρχιερευς], excomungando todos os dias Vossa Majestade pelo nome na presença de todos os homens e todos os seus súbditos romanos (em latim Graecos), chamando descaradamente de hereges os romanos mais ortodoxos, de quem a fé cristã chegou aos limites extremos do Universo...

Desejamos defender não apenas nossos próprios direitos, mas também os de nossos vizinhos amigos e amados, a quem o amor puro e sincero em Cristo uniu a nós, e especialmente os gregos, nossos amigos íntimos... [O papa chama] os gregos mais piedosos e ortodoxos de ímpios e hereges.


_ Cartas de Frederico II Hohenstaufen, Sacro Imperador Romano-Germânico ao "Imperador" de Tessalônica ou déspota de Épiro Teodoro Komnenos Doukas
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Forwarded from Alexandria Apócrifa
Assim, a alma, sendo composta, passa de um caminho para outro e de um lugar, forma e sinal para outros conjuntos de formas e figuras, e fica inquieta ao andar em círculos, prejudicando-se ao se voltar ocasionalmente para o prazer e viver na devassidão. Sendo corrompida mil vezes, a alma, portanto, arruína seus olhos ao se deixar levar pelo prazer e desprezar a dignidade da imaterialidade. Por essa razão, depois de absorver em si mesma as corrupções do momento — e porque ela se corrompe com a corrupção por sua própria vontade —, a alma se aproxima da destruição e gira em círculos, imitando a inconstância do tempo. Pois a tendência obscura do momento, a inconstância da fortuna, o relaxamento da alma e a mudança das circunstâncias conferem inexistência às coisas que parecem existir e assolam o viajante alegre com a dureza da tristeza.


_ Peças Morais do Imperador Teodoro II Laskáris de Niceia
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Adão Primordial

Ó humanidade! Lembrai-vos do vosso Senhor que vos criou de uma única alma (nafs), e dela Ele criou a sua companheira, e através de ambos Ele espalhou incontáveis homens e mulheres.
-- Al-Corão, 4:1

Abd al-Razzaq Kashani, em seu comentário ao Corão, diz que esta alma “é a alma-racional-discursiva (al-nafs al-natiqa al-kulliyya) que é o coração do mundo, sendo o verdadeiro Adão.”
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Forwarded from Alexandria Apócrifa
E nada mais dissipa os furacões mais contínuos da tristeza do que a lembrança de Deus (μνημονεύειν Θεοῦ), e o saber que, mesmo sendo mortais e criados e assim existindo, ainda assim jamais veremos acontecer algo para nossa destruição, mas tudo, de fato, serve fortemente para a salvação, por meio do Espírito.


Pois até mesmo os primeiros intelectos (νοῦς) se apresentam a Ele com servidão, por meio de quem também a φύσις (natureza), tendo-se separado d’Ele e deslizando para aquilo que deseja, é restaurada; por meio de quem ela se torna virtuosa (ἀρεταίνει), por meio de quem foi elevada (ἐπήχθη) e por meio de quem permanece (διαμένει), ainda que, por causa da multiplicidade (πολυειδὲς) própria dela, se apresse em direção à dissolução (τὸ λυθῆναι).”


Pois, quando este (a natureza humana) se reverte e se transforma, a instabilidade das coisas da vida torna-se manifesta, porque também os próprios traços/disposições da alma, ao mudarem, saltam para fora das relações anteriores (subordinação do Nous a Deus), sem guardar memória de nenhuma daquelas coisas que antes amava ternamente.


_ Peças Morais do Imperador Teodoro II Láskaris de Niceia
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O Casamento de Dioniso

Naxos, cercada pelo mar Egeu, deu-lhe em casamento uma donzela abandonada [Ariadne], compensando sua perda com um marido melhor. Da rocha seca jorrou licor nictélico [vinho]; riachos murmurantes dividiram os prados verdejantes; a terra profunda bebeu os sucos doces, fontes brancas de leite nevado e vinho lésbico misturado com tomilho perfumado. A noiva recém-casada é conduzida aos céus elevados; Febo [Apolo] canta um hino majestoso, com seus cachos caindo sobre os ombros, e os gêmeos Cupidos [Erotes] brandem suas tochas. Júpiter [Zeus] depõe suas armas de fogo e, quando Baco chega, abomina seu raio.

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Διος Φως

Enquanto as estrelas brilhantes dos céus antigos correrem em seus cursos; enquanto Oceano circunda a terra aprisionada com suas águas; enquanto a Lua cheia [Selene, a lua] reune novamente seu esplendor perdido; enquanto Lúcifer [Eósforo, a estrela da manhã] anuncia o amanhecer, e enquanto as majestosas Ursas [constelações Ursae] não conhecem nada do caerúleo Nereu; por tanto tempo adoraremos o rosto brilhante do belo Lieu [Dionísio]."

- Sêneca, Édipo, 401ss.
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Νοῦς Διός

Resta-nos agora ascender à hyparxis ou mônada de todos os Deuses mundanos, Dioniso, em cuja divindade todos eles subsistem e estão enraizados, de forma semelhante às estrelas fixas na esfera inerrática. Pois, desta maneira, cada mônada contém analogamente sua multidão coordenada. Dioniso, portanto, é o intelecto mundano, do qual a alma e o corpo do mundo se originam.

-- Thomas Taylor, in Proclo, Theologia Platonica, VII, 23.
Entre os homens não há povo tão selvagem e feroz a ponto de negar a necessidade de adorar a Deus, por mais ignorante que seja a respeito da natureza de seus atributos.

- Cícero. Leis, I:23.
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A Definição de "Lei"

Eles também pensam que o nome grego para lei (νόμος), derivado de νέμω, distribuir, implica a própria natureza da coisa, ou seja, dar a cada um o que lhe é devido. De minha parte, imagino que a essência moral da lei seja melhor expressa por seu nome latino, (lex), que transmite a ideia de seleção ou discriminação. Segundo os gregos, portanto, o nome lei implica uma distribuição equitativa dos bens; segundo os romanos, uma discriminação equitativa entre o bem e o mal.

A verdadeira definição de lei deve, no entanto, incluir ambas as características.

- Cícero. Leis, I:18-9
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É interessante especular que a sentença de Herótodo (Hist. III, 38) não se trata de mero clubismo e negação de uma universalidade, mas dessa noção do nomos sendo o paradigma de um povo, a ele distribuído por Deus e por ele utilizado para julgar o mundo.

"οὕτω νομίζουσι πολλόν τι καλλίστους τοὺς ἑωυτῶν νόμους ἕκαστοι εἶναι; assim, cada um acredita/julga que os seus próprios costumes/leis são de longe os mais belos"

Outra ocorrência de "nomos" como juízo:

"καὶ τὸ μὴ μίσγεσθαι γυναιξὶ ἐν ἱροῖσι μηδὲ ἀλούτους ἀπὸ γυναικῶν ἐς ἱρὰ ἐσιέναι οὗτοι εἰσὶ οἱ πρῶτοι θρησκεύσαντες. οἱ μὲν γὰρ ἄλλοι σχεδὸν πάντες ἄνθρωποι, πλὴν Αἰγυπτίων καὶ Ἑλλήνων, μίσγονται ἐν ἱροῖσι καὶ ἀπὸ γυναικῶν ἀνιστάμενοι ἄλουτοι ἐσέρχονται ἐς ἱρόν, νομίζοντες ἀνθρώπους εἶναι κατά περ τὰ ἄλλα κτήνεα·

E quanto a não se deitar com mulheres nos templos, nem entrar impuros (isto é, sem se lavarem) nos santuários após as mulheres — esses são os primeiros que praticaram esse culto. Pois quase todos os outros homens, exceto os egípcios e os gregos, se deitam com mulheres nos templos e, levantando-se das mulheres, entram sem se lavarem no santuário, julgando/tendo-por-costume-ou-lei que os homens são como os outros animais."

(História, II, 64)
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Quando Cícero prega a necessidade de adorar a Deus, o faz pois isso é indissociável do Nomos recebido dos Deuses pela Polis. Ele não trata de crer em um Deus, mas de adorar, justamente por esse motivo. A impiedade, a transgressão à lei, o esquecimento das tradições, estavam todos contidos no que se entendia por "ateísmo", que por violar a Pax Deorum da Polis ou Civis, a levaria à perdição.

Por isso Zósimo Historiador relata a salvação de Atenas pela manutenção da piedade, e a danação de Roma pela impiedade.
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"Tendo os tebanos escapado, ele avançou para Atenas, esperando tomar aquela cidade com facilidade, visto que, devido à sua magnitude, não poderia ser facilmente defendida; nem, sendo contígua ao Pireu, poderia resistir por muito tempo antes de ser obrigada a se render.

Essa era a esperança de Alarico. Mas a antiguidade da cidade, em meio a esses desígnios ímpios, foi capaz de chamar em seu auxílio as divindades que a presidiam, pelas quais foi preservada.

[...]

Enquanto se ocupavam com essas reflexões, Pompeiano, o prefeito da cidade, encontrou-se acidentalmente com algumas pessoas que tinham vindo da Toscana para Roma, e relataram que uma cidade chamada Neveia havia se livrado de um perigo extremo, tendo os bárbaros sido repelidos por tempestades de trovões e relâmpagos, causadas pela devoção de seus habitantes aos deuses, no antigo modo de culto. Tendo conversado com esses homens, ele realizou tudo o que estava em seu poder, de acordo com os livros dos principais sacerdotes. Recordando, no entanto, as opiniões então predominantes, resolveu proceder com maior cautela e propôs todo o assunto ao bispo da cidade, cujo nome era Inocêncio. Preferindo a preservação da cidade à sua própria opinião particular, deu-lhes permissão para fazerem em particular o que soubessem ser conveniente. Declararam, no entanto, que o que pudessem fazer seria inútil, a menos que os sacrifícios públicos e costumeiros fossem realizados e a menos que o senado subisse à capital, realizando ali e nos diferentes mercados da cidade tudo o que fosse essencial. Como ninguém ousou participar das antigas ordenanças religiosas, dispensaram os homens que vieram da Toscana e se dedicaram a apaziguar os bárbaros da melhor maneira possível."

(Zósimo. Historia Nova, V)
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O Último Arconte ♄
Quando Cícero prega a necessidade de adorar a Deus, o faz pois isso é indissociável do Nomos recebido dos Deuses pela Polis. Ele não trata de crer em um Deus, mas de adorar, justamente por esse motivo. A impiedade, a transgressão à lei, o esquecimento das…
Isso não significa que o culto se resumiria a isso, ainda mais no contexto do texto de Cícero, onde Deus é a Verdade e o Bem, porém havia uma ênfase cultural nisso que se perdeu entre nós, que explica o porquê dele ter dito "culto" e não apenas "crença".
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O Nome "Mundo"

Quanto ao nome ["mundo"], sou influenciado pelas opiniões unânimes de todas as nações. Pois o que os gregos, por sua ornamentação, chamaram de κόσμος ("ordem", "ornamento"), nós, por sua elegância perfeita e completa, chamamos de mundus. O nome cœlum, sem dúvida, refere-se ao fato de estar gravado (caelati), por assim dizer, com as estrelas, como Varrão sugere. Em confirmação dessa ideia, podemos citar o Zodíaco, no qual há doze figuras de animais; é por meio delas que o sol continuou seu curso por tantas eras.

- Plínio, o Velho. História Natural, II, 3.
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O Caráter Estático da Perspectiva Guénoniana e a Tarefa da Escola Tradicional

O pensamento de R. Guénon, melhor exemplificado pela sua Teoria dos Estados Múltiplos do Ser, é caracteristicamente estático. Se formos utilizar o termo "metafísico" como sinônimo de "estático" em oposição ao "dialético", sinônimo de "dinâmico", como faziam no século XIX, Guénon seria um metafísico por excelência.

Assim como o estático Parmênides teve seu pensamento vitalizado, posto em movimento, por Platão; assim como Böhme coroou o pensamento cristão ao revelar os mistérios da trindade nas sucessões dialéticas da Natureza, é tarefa dos tradicionalistas completar sua escola, de início estático, com o pensamento dinâmico.
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Um Exemplo de Stasis

Uma das questões mais polêmicas de seu pensamento — a transmigração — ilustra o caráter estático do mesmo ao qual me refiro.

Guénon distingue Ser e Existência. O Ser, em si, está no não-Ser e é, portanto, imanifesto. A manifestação é a manifestação do Ser e seus estados, que se dá no que ele denomina "Existência".

Esses estados do Ser são manifestações do Ser entendido em sua pluralidade, pois interage com a existência também enquanto seres. Cada um desses seres terá, em si, todas as possibilidades de manifestação, algumas possuem sucessão entre si, outras não. Nesse sentido, cada possui cada manifestação do Ser total, que são como planos horizontais que recebem indefinidas linhas verticais (os seres). Essa sucessão não é uma sucessão temporal, mas uma sucessão lógica, pois a sucessão temporal está presente em algumas modalidades dos estados do Ser; no estado humano, em sua modalidade grosseira/corpórea apenas.

Sendo a passagem de um estado para outro, o sujeito dessa passagem sendo este ou aquele ser, a "passagem" só se dá do ponto de vista do estado, mas não do ser que se manifesta, na perspectiva deste, a sucessão é algo que nunca pode estar no futuro ou no passado, na anterioridade ou na posterioridade, pois essas relações não são supostas da relação entre ser e estado, mas entre um estado individual e outro estado. Por essa razão, não há sentido o "retorno". Seria redundância.

Assim conclui, aparentemente em contradição com os dados tradicionais. Uma visão madura de sua obra não buscará mais essa polêmica, mas entenderá a retidão dessa concepção, que, por ser estática, não poderia chegar, sendo honesta a si mesma, a outra conclusão.
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AMON E O CORPO

I - Período Amarnita

Atem, no período Amarnita (Akhenaton) é Uno e criador de todas as coisas por meio de si (creatio ex et in Deo). Todas as coisas são, portanto, manifestações e transformações do Sol (Atem).

Tu és o Único, mas há um milhão de vidas em ti, Para fazê-las viver.
A visão dos teus raios
É um sopro de vida para os seus narizes. (Hino Curto Amarnita a Atem)

Você cria milhões de formas (hprw) sozinho,
Cidades, vilas, campos,
Estradas e rios. (Grande Hino Amarnita a Atem)