A Europa é mecanicismo, a neutralização do poder, a coexistência formal de credos, a paganização da moral, o absolutismo, as democracias, o liberalismo, as guerras nacionais ou familiares, uma concepção abstrata do homem, a Liga das Nações, a ONU, o parlamentarismo, o constitucionalismo liberal, o protestantismo, as repúblicas e a soberania limitada de príncipes ou povos. A Cristandade, por sua vez, era organicismo social, uma visão cristã do poder, a unidade da fé católica, poderes temperados, cruzadas missionárias, uma concepção do homem como ser concreto, Cortes representando a realidade social entendida como um corpo místico e sistemas de liberdades concretas. Ou seja, apesar da unidade que Dawson postula, duas civilizações e duas culturas contrárias: a Europa, a civilização da Revolução; A Cristandade, a civilização da Tradição Cristã.
- Elias de Tejada em "A Monarquia Tradicional"
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Chamou Oliveira Martins aos Lusíadas, num dos seus muitos rasgos de vidência incomparável, o testamento de Espanha. São, na verdade, os Lusíadas o grito final de Espanha – mas da ‘Espanha’ no sentido de comunidade espiritual em que nós a entendemos, nunca no de uma exígua e exclusiva designação nacionalista. O Épico adivinhava bem, no estertor dos grandes estímulos do passado, que a nossa hora de ‘hispanos’ ia obscurecer-se, com o advento do naturalismo solto da Renascença e já com a Reforma levantando no coração dos povos e nos degraus dos tronos o colo atrevido da serpe individualista. O concílio de Trento, apontando à Europa mutilada o ideal de Cristandade como única força colectiva capaz de a restaurar, apenas encontra ao seu lado as duas nações da Península.
- António Sardinha em O Génio Peninsular
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Com duas mãos - o Acto e o Destino -
Desvendámos. No mesmo gesto, ao céu
Uma ergue o facho trémulo e divino
E a outra afasta o véu.
Fosse a hora que haver ou a que havia
A mão que ao Ocidente o véu rasgou,
Foi alma a Ciência e corpo a Ousadia
Da mão que desvendou.
Fosse Acaso, ou Vontade, ou Temporal
A mão que ergueu o facho que luziu,
Foi Deus a alma e o corpo Portugal
Da mão que o conduziu.
-Fernando Pessoa, em Mensagem. O Ocidente
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Forwarded from O Último Arconte ♄
Sempre em frente
- Ludwig Darleth. Der Fränkische Koran.
Não voltaremos atrás, ainda que a tempestade ameace,
ainda que o círculo das úmidas Híades, com véus nevoentos, nos devore o horizonte —
Ó pátria fugitiva! Ó céus desejosos, abençoe os audazes argonautas do conhecimento!
- Ludwig Darleth. Der Fränkische Koran.
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Neste próximo sábado, ocorrerá no servidor do Discord do Cabo das Tormentas uma apresentação sobre o texto de António Sardinha: “Mare Nostrum: O Destino da Civilização Hispânica e a América.” Estão convidados!.
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Cabo Das Tormentas
Amanhã haverá um vídeo especial na série da Talassocracia.
YouTube
Jornada ao Paraíso
O motivo das Jornadas e Viagens, por meio do mar, e em direção ao Paraíso Terrestre, foram notavelmente relevantes nas cosmologias celta e cristã, o que gerou o imaginário que ocasionaria às Grandes Navegações e a descoberta das Américas. As epopeias marítimas…
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Neste próximo sábado, ocorrerá no servidor do Discord do Cabo das Tormentas uma apresentação: Introdução às Obras de José Pedro Galvão de Sousa. Estão convidados!.
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Melancólico eras tu, ó cavaleiro!
Melancólico e longe de toda a sinfonia,
E pensavas em tua própria liturgia,
Aquilo que tu mais desejavas, ó escudeiro!
Cristais correm tortuosos em teu rosto,
E teus rubros lábios se abrem ao cantar:
"Onde estás, vida? Onde andas a peregrinar?
Onde estás, senhora? Onde fica o teu posto?"
Sim, amei-te, ó minha humilde Dama,
Amei-te por toda a tua altíssima nobreza,
Mas sucumbi em minha amarga crueza,
E devo tornar esta minha própria lama.
Farei dos longos Alpes meu eremitério,
Para que eu te prive da minha escória.
Os altos cumes de minha vida inglória
Escondem de ti as ruínas do império.
Friedrich Schlegel — Alarcos (1802). Traduzido por um amigo
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O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
Esplendia sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longínqua costa -
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstrata linha.
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte
Os beijos merecidos da Verdade.
Fernando Pessoa, em Mensagem. Horizonte.
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