“(...) A dita transformação conseguir-se-ia por meio da iniciação, no sentido mais restrito do termo. Mediante a iniciação, alguns homens escapavam duma natureza e alcançavam a outra, deixando assim de ser homens. A sua aparição noutra forma de existência constituía, no plano desta última, um acontecimento rigorosamente equivalente ao da geração e do nascimento físico. Assim, pois, aqueles homens re-nasciam, eram re-gerados (ou re-«generados»). Tal como o nascimento físico implica a perda da consciência do estado superior, também a morte significa a perda da consciência do estado inferior. Daí que, na medida em que se perde toda a consciência do estado superior — quer dizer, segundo os termos que já conhecemos, na medida em que sobrevêm a «identificação» [a «ensimesmação»] —, nessa mesma medida a perda de consciência do estado inferior (a humana), provocada pela morte e pela desintegração do sustentáculo de tal consciência (o corpo), equivale à perda de toda a consciência no sentido pessoal. Ao sono eterno, à existência larvar no Hades, à dissolução pensada como destino de todos aqueles para quem as formas desta vida humana constituem o princípio e o fim, a tudo isso só escaparão aqueles que ainda em vida souberam orientar a sua consciência para o mundo superior. Os Iniciados, os Adeptos, encontram-se no extremo desse caminho. Conseguida a «recordação», a Άνάμνεσις, segundo a expressão de Plutarco, fazem-se livres, desligam-se dos liames e, coroados, celebram os «mistérios» e veem sobre a terra a massa dos que não são iniciados nem são «puros» a afundarem-se e a perecerem no lodo e nas trevas.” – Julius Evola, em “A Tradição Hermética”
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“Podem reconstituir-se algumas das estruturas da religião indo-europeia comum. Há antes de mais, indicações, sumárias mais preciosas, trazidas pelo vocabulário religioso. Desde o começo dos estudos, reconheceu-se o radical indo-europeu deiwos, «céu», nos termos que designam o «deus» (lat. deus, sansc. deva, iran, div., lit. diewas, antigo germânico tivar) e nos nomes dos principais deuses: Dyaus, Zeus, Júpiter. A ideia de deus revela-se solidáriada da sacralidade celeste, isto é, da luz e «transcendência» (altura), e, por extensão, da ideia de soberania e de criatividade, no seu sentido imediato: cosmogonia e paternidade. O (deus do) Céu é, acima de tudo, o Pai: cf, o indiano Dyauspitar, o grego Ζεύς πατήρ, o ilírio Daipatûres, o latino Jupiter, o cita Zeus-Papaios, o trácio-frígio Zeus Pappos.”
- Mircea Eliade, em “História das Crenças e Idéias Religiosas (Vol. I)”
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- Mircea Eliade, em “História das Crenças e Idéias Religiosas (Vol. I)”
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“Para mim, ‘povo’ é uma unidade de alma. Os grandes acontecimentos históricos não são propriamente obra de povos; eles, ao contrário, produziram os povos. Cada ação modifica a alma de quem age. Não existe outro conteúdo da palavra ‘povo’. Não são decisivos nem os conteúdos da unidade de idioma nem o da procedência física. O que distingue o povo de uma população, destacando-o dela e incorporando-o novamente nela, é sempre a experiência íntima do ‘nós’. Quanto mais profundo for esse sentimento, tanto mais intensa será a energia vital do conjunto.
E, todavia, é lícito unir os conceitos do povo e da raça, porém não na acepção – muito difundida no nossos dias – que os darwinistas deram ao segundo. Não se pense que povo algum tenha podido manter-se unido pela mera identidade de procedência corpórea; essa forma não teria subsistido nem sequer durante dez gerações. Nunca se insistirá em demasia no fato de que tal origem biológica tem valor tão-somente para a ciência, mas nunca para a consciência popular. Nenhum povo entusiasmou-se jamais por esse ideal do ‘sangue puro’. Ter raça não é uma particularidade material, mas algo cósmico, uma direção, a sensação da concordância do destino, a marcha pela história, com igual rumo e no mesmo ritmo.”
- Oswald Spengler, em “The Decline of the West”
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E, todavia, é lícito unir os conceitos do povo e da raça, porém não na acepção – muito difundida no nossos dias – que os darwinistas deram ao segundo. Não se pense que povo algum tenha podido manter-se unido pela mera identidade de procedência corpórea; essa forma não teria subsistido nem sequer durante dez gerações. Nunca se insistirá em demasia no fato de que tal origem biológica tem valor tão-somente para a ciência, mas nunca para a consciência popular. Nenhum povo entusiasmou-se jamais por esse ideal do ‘sangue puro’. Ter raça não é uma particularidade material, mas algo cósmico, uma direção, a sensação da concordância do destino, a marcha pela história, com igual rumo e no mesmo ritmo.”
- Oswald Spengler, em “The Decline of the West”
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“Quando perguntaram a Pitágoras [porque é que os seres humanos existem], ele disse: ‘para observar os céus’, e costumava afirmar que ele próprio era um observador da natureza, e foi por essa razão que ele passou pela vida.”
– Aristóteles, em “Protrepticus”
Pintura: “Orpheus Charming the Animals”, by Gustave Surand.
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– Aristóteles, em “Protrepticus”
Pintura: “Orpheus Charming the Animals”, by Gustave Surand.
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"Assim, nesta reavaliação da antiga tradição sagrada romana que Juliano tentou, o que importa é a ideia 'esotérica' da natureza dos 'deuses' e o 'conhecimento' deles. Tal conhecimento significa realização interior. Desta perspectiva, os deuses parecem não ser ficções poéticas ou abstrações teológico-filosóficas, mas sim símbolos e projeções de estados transcendentais de consciência.
Assim, Juliano, que foi ele próprio um iniciado nos Mistérios Mitraicos, associa estritamente um autoconhecimento superior ao caminho que conduz ao 'conhecimento dos deuses' - um fim tão elevado, que ele não hesita em dizer que o domínio sobre todos as terras, tanto romanas quanto bárbaras, não é nada comparado a isso."
- Julius Evola, em "Recognitions: Studies on Men and Problems from the Perspective of the Right"
Pintura por Cornelis van Poelenburgh
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Assim, Juliano, que foi ele próprio um iniciado nos Mistérios Mitraicos, associa estritamente um autoconhecimento superior ao caminho que conduz ao 'conhecimento dos deuses' - um fim tão elevado, que ele não hesita em dizer que o domínio sobre todos as terras, tanto romanas quanto bárbaras, não é nada comparado a isso."
- Julius Evola, em "Recognitions: Studies on Men and Problems from the Perspective of the Right"
Pintura por Cornelis van Poelenburgh
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Forwarded from 𝑴𝒂𝒋𝒆𝒔𝒕𝒐𝒔𝒂𝑴𝒆𝒏𝒕𝒆
Considere sua origem. Você não foi criado para viver como as feras, mas para seguir os preceitos da virtude e do conhecimento.
- Dante Alighieri / 'A Divina Comédia'🌞
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A ōnusa (大幣) ou nusa (幣)
- Motosawa Masashi, “Encyclopedia of Shinto”
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Os bastões apresentados ao invocar o Kami ou ao exorcizar pecados ou imperfeições (tsumi) eram chamados de nusa, e feitos principalmente a partir do bastão interno da amoreira de papel (yū), fibras de linho (asa) e, mais tarde, de tecidos e papel. No seu Kojikiden, Motoori Norinaga definiu ōnusa como oferendas divinas de seda, yū ou linho. Um uso antigo pode ser visto no registro do Kojiki do Imperador Chūai, no qual uma ōnusa foi usada no Grande Ritual de Purificação (ōharae). A Ōnusa usada nos rituais de purificação pode ser feita de serpentinas de linho ou de papel (shide) presas a um ramo da árvore sakaki, ou as serpentinas podem ser presas a um bastão hexagonal ou octogonal de madeira inacabada. Antigamente, a pessoa que queria se purificar segurava a ōnusa na mão para transferir para ela os pecados (tsumi) e as poluições (kegare), ou então a ōnusa era agitada (esquerda, direita, esquerda) sobre o objeto a purificar. Mais tarde, porém, passou a ser habitual acenar a ōnusa sobre a pessoa ou o objeto.
- Motosawa Masashi, “Encyclopedia of Shinto”
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Segundo Dante (Convivium, II, 1), ‘os textos podem ser compreendidos e expostos segundo quatro sentidos’: o sentido literal; o sentido alegórico, que, diz Dante, ‘é uma verdade escondida por detrás de uma bela mentira’; o sentido moral; e o sentido anagógico. Este sentido anagógico ocorre quando ‘se lê de forma espiritual uma passagem da Escritura, que no seu sentido literal e nas coisas significadas aponta para as coisas da glória eterna’; por outras palavras, é o sentido mais íntimo de um texto que, mesmo quando tem um sentido literal, trata de temas de natureza espiritual. Este último sentido deve ser claramente distinguido dos sentidos alegórico e moral, que, em comparação com o sentido anagógico, pelo menos de um ponto de vista espiritual, têm uma importância secundária. Na minha opinião, a interpretação anagógica da Divina Comédia ainda precisa de ser feita.
- Pietro Negri, no ensaio “Knowledge of the Symbol”
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Aquele que, aqui mesmo, antes da libertação do corpo [i.e., a morte], tem a capacidade de suportar o impulso que nasce do desejo e da raiva, esse é um yogin, é uma pessoa feliz.
Aquele cuja felicidade está em si mesmo, que se entretém em si mesmo e cuja mente ilumina a si mesmo, esse yogin, idêntico a Brahman [enquanto vivo], alcança a liberação em Brahman. Sábios, de quem todas as impurezas e dúvidas foram eliminadas, que têm sob controle seus órgãos de ação e percepção, entretidos na [promoção do] bem de todos os seres, alcançam a liberação.
- Bhagavad Gītā, capítulo V
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Forwarded from Centro de Estudos Minayba
“De acordo com a tradição talmúdica, os demônios são espíritos criados no crepúsculo da noite de sexta-feira, que, devido à intervenção do sábado, não receberam nenhum corpo. A partir disso, as autoridades posteriores tiraram a inferência (que talvez esteja implícita nas fontes talmúdicas) de que os demônios têm procurado corpos desde então, e que é por isso que se ligam aos homens. Isso entrou em combinação com outra ideia. Após o assassinato de Abel por seu irmão, Adam decidiu não ter mais relações com sua esposa. Então demônios femininos, súcubos, vieram até ele e foram concebidos por ele; desta união, na qual o poder gerador de Adão foi mal utilizado e mal direcionado, originou-se uma variedade de demônios, que são chamados de nig'e bne Adam, 'Espíritos prejudiciais que vêm do homem'. Os Cabalistas adotaram essas antigas concepções de geração demoníaca na poluição noturna ou em outras práticas, principalmente onanísticas. Eles estão sistematizados no Zohar, que desenvolve o mito de que Lilith, rainha dos demônios, ou os demônios de seu séquito, fazem o possível para provocar os homens a atos sexuais sem o benefício de uma mulher, tendo como objetivo fazer para si corpos a partir da semente desperdiçada.”
– Gershom Scholem, “On the Kabbalah and its symbolism”
– Gershom Scholem, “On the Kabbalah and its symbolism”
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Forwarded from Penitência e Expiação (I. Albert Weiß y Bernardes)
Do amor à solidão e ao silêncio
"Renuncia às curiosidades e escolhe leituras tais, que mais sirvam para te compungir, que para te distrair. Se te abstiveres de conversações supérfluas e passeios ociosos, como também de ouvir novidades e boatos, acharás tempo suficiente e adequado para te entregares a santas meditações.
2. Disse alguém: "Sempre que estive entre os homens, menos homem voltei." (Sêneca, Epist. 7). Isso experimentamos muitas vezes, quando falamos muito. Quem, pois, pretende chegar à vida interior e espiritual, importa-lhe que se afaste da turba, com Jesus. Ninguém sem perigo se mostra em público, senão quem gosta de se esconder. Ninguém seguramente fala, senão quem gosta de calar.
7. Para que queres ver o que não te é lícito possuir? Passa o mundo e a sua concupiscência (1 Jo II, 17). [...]. Levanta os olhos a Deus nas alturas e pede perdão de teus pecados e negligências. Deixa as vaidades para os fúteis; tu, porém, atende ao que Deus te manda."
(Tomás de Kempis, Imitação de Cristo, cap. 20)
"Renuncia às curiosidades e escolhe leituras tais, que mais sirvam para te compungir, que para te distrair. Se te abstiveres de conversações supérfluas e passeios ociosos, como também de ouvir novidades e boatos, acharás tempo suficiente e adequado para te entregares a santas meditações.
2. Disse alguém: "Sempre que estive entre os homens, menos homem voltei." (Sêneca, Epist. 7). Isso experimentamos muitas vezes, quando falamos muito. Quem, pois, pretende chegar à vida interior e espiritual, importa-lhe que se afaste da turba, com Jesus. Ninguém sem perigo se mostra em público, senão quem gosta de se esconder. Ninguém seguramente fala, senão quem gosta de calar.
7. Para que queres ver o que não te é lícito possuir? Passa o mundo e a sua concupiscência (1 Jo II, 17). [...]. Levanta os olhos a Deus nas alturas e pede perdão de teus pecados e negligências. Deixa as vaidades para os fúteis; tu, porém, atende ao que Deus te manda."
(Tomás de Kempis, Imitação de Cristo, cap. 20)
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"Tudo o que é visível está ligado ao invisível, o audível ao inaudível, o tangível ao intangível; e talvez o concebível ao inconcebível."
- Georg Philipp Friedrich Freiherr von Hardenberg ou Novalis, em "Novalis: Philosophical Writings"
Pintura: "Vision der christlichen Kirche", por Caspar David Friedrich.
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- Georg Philipp Friedrich Freiherr von Hardenberg ou Novalis, em "Novalis: Philosophical Writings"
Pintura: "Vision der christlichen Kirche", por Caspar David Friedrich.
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