“O tempo anda como as serpentes, não evolui uniformemente. A ideia de um tempo rectilíneo e uniforme é uma impossibilidade metafísica; implicaria que, em cada momento, fosse absolutamente outro, isto é, deixasse de ser.”
‐ António Telmo
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"(...) Mas, na santa solidão ao meu redor, tudo era luz e cor, e um sopro fresco e quente de vida e amor me tocou, agitou-se e murmurou em todos os galhos do luxuriante bosque."
– Friedrich Schlegel em "Lucinde"
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"Zoroastro recebe a revelação da nova religião diretamente de Aúra-Mazda. Ao aceitá-la, ele imita o acto primordial do Senhor – a escolha do Bem (cf. Yasna, 32:2) – e não é outra coisa o que pede aos seus fiéis. O essencial da reforma zoroastrista consiste numa imitatio dei. O homem é intimado a seguir o exemplo de Aúra-Mazda, mas goza de liberdade na sua escolha. Não se sente como escravo ou servo de Deus (como se reconhecem, por exemplo, os fiéis de Varuna, de Javé, de Alá)."
– Mircea Eliade em "História das Crenças e Idéias Religiosas" (Vol. I)
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“A indústria e a utilidade são os anjos da morte que, com espadas ardentes, impedem o regresso do homem ao Paraíso."
– Friedrich Schlegel em "Lucinde"
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Sem hesitar, Agesivano
Pegou a faca. E era sua alma
naquele instante a mais branca das pombas.
Como uma estrela cadente atravessa o inexplorado
tabernáculo do céu no meio da noite,
ou a flor da macieira cai na brisa suave,
assim seu espírito voou de seu peito.
Mortes como essa não são em vão.
Somente aqueles que amam a vida
nos recônditos de seu valor primordial
podem colher com suas próprias mãos
a nobre espiga de uma existência
– que já declina – com a serena
majestade de um deus.
– Ángelos Sikelianós, "O Suicídio de Agesivano, discípulo de Buda"
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Celeste... E assim, divina, que te chamas.
Belo nome tu tens. Dona Celeste...
Que outro terias entre humanas damas,
Tu que embora na terra do céu vieste?
Celeste... E como tu és do céu não amas:
Forma imortal que o espírito reveste
De luz, não temes sol, não temes chamas,
Porque és sol, porque és luar, sendo celeste.
Incoercível como a melancolia,
Andas em tudo: o sol no poente vasto
Pede-te a mágoa do findar do dia.
E a lua, em meio a noite constelada,
Pede-te o luar indefinido e casto
Da tua palidez de hóstia sagrada.
– Alphonsus de Guimaraens, Pulera ut lune
Pintura por Witold Pruszkowski.
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Belo nome tu tens. Dona Celeste...
Que outro terias entre humanas damas,
Tu que embora na terra do céu vieste?
Celeste... E como tu és do céu não amas:
Forma imortal que o espírito reveste
De luz, não temes sol, não temes chamas,
Porque és sol, porque és luar, sendo celeste.
Incoercível como a melancolia,
Andas em tudo: o sol no poente vasto
Pede-te a mágoa do findar do dia.
E a lua, em meio a noite constelada,
Pede-te o luar indefinido e casto
Da tua palidez de hóstia sagrada.
– Alphonsus de Guimaraens, Pulera ut lune
Pintura por Witold Pruszkowski.
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“O platônico Leibniz afirma que cada ser, cada mônada, é um ponto de vista, que reflecte toda a verdade num dos seus aspectos, tão real como os outros, e que só a mônada das mônadas tem o ponto de vista absoluto, só Deus é autenticamente sábio. Os seres diferem uns dos outros sub specie interioritatis. Cada um deles é todo o mundo a sós.”
– António Telmo
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“A poesia persa está profundamente impregnada da doutrina sufi. A ênfase no amor e no êxtase, mais do que no ritual, na filosofia e na teologia, tinha um apelo irresistível para os poetas e para o seu público. O simbolismo do amor e da paixão era o idioma natural para o místico que falava da sua auto-absorção no divino. A imagem do vinho e da bebida era usada para denotar a passagem para além do eu individual. Os muitos obstáculos no caminho da união com Deus eram simbolizados pelo difícil percurso do amor. Isto não é incomum, já que os místicos cristãos e os neoplatônicos também utilizaram o simbolismo erótico e as imagens sensuais para a sua experiência religiosa. Na poesia persa, no entanto, tornou-se tão difundido que muitas vezes é difícil distinguir se o poeta está a falar de amor terreno ou de estados místicos.”
– Hari Singh, Classical Persian Poetry
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– Hari Singh, Classical Persian Poetry
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"A arte é uma expressão sagrada, o meio pelo qual o homem pode se aproximar do divino."
– Hugo Höppener (Fidus)
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– Hugo Höppener (Fidus)
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(...) está bem explícita no hermetismo a assimilação ao estado de corporeidade, correspondente às «formas puras» aristotélicas e aos «anjos» da teologia católica; está bem explícita, visto que, para o hermetismo, «o homem esclarecido não será menos do que os espíritos celestes, será em tudo e por tudo semelhante a eles», num «corpo inalterável e incorruptível». «Uma Alma nova glorificada unir-se-á ao corpo imortal e incorruptível; e assim se constituirá um novo céu.» E com um simbolismo muito semelhante ao das tradições gnóstico-mistéricas, fala-se da «veste de púrpura tíria», «cintilante e flamejante, incapaz de mudanças e alterações, sobre a qual nem mesmo o céu ou o zodíaco têm poder, aquela cujo esplendor radiante e deslumbrante parece comunicar ao homem algo de super-celestial, fazendo com que o homem, quando contempla e conhece tal esplendor, pasme, estremeça e frema ao mesmo tempo.»
– Julius Evola em "A Tradição Hermética"
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(...) A posição do poeta na Índia antiga e na Irlanda medieval forneceu aos estudiosos muito mais material para comparação. Em ambos os países, a poesia era uma profissão hereditária que se exercia em certas famílias, a arte passava de pai para filho, como nas seis famílias de Rishis responsáveis pelos livros 2-7 do Rigveda. O poeta tinha que adquirir todos os aspectos técnicos da arte e dominar um vasto conjunto de temas tradicionais. Isto significava um longo período de formação rigorosa. César diz que o programa de estudos dos druidas podia ocupar até vinte anos. O fili, segundo os primeiros textos irlandeses, treinava durante sete anos, atingindo graus sucessivos. Ele tinha que aprender de cor um grande número de narrativas e genealogias, para além de outros saberes. Para a educação do brâmane, as Leis de Manu especificam trinta e seis anos.
– M. L. West em "Indo-European Poetry and Myth”
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As coisas do mundo invisível me atraem mais do que as coisas do mundo prático.
– Ibn Arabi
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Forwarded from Centro de Estudos Minayba
«Para Schuon, o mundo moderno constitui uma civilização meio vaicha, meio shudra, o que explica seu desprezo pela contemplação, seu caráter mercantil e sua preocupação obsessiva com a economia e o "bem-estar", este concebido em modo puramente materialista, sem levar em conta qualquer aspiração espiritual.»
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As asas perdem-se no vento,
Os sons da lira no ruído,
No fogo as faíscas,
Todos os nossos sonhos na noite.
O mundo é uma ratoeira
Onde o prazer leva ao remorso,
Onde o amor leva ao pó,
Onde a ação leva à morte.
E o tempo continua, um enorme círculo,
à volta de um eixo imóvel.
E nada muda a não ser a forma.
E nada permanece a não ser Deus.
- Armand Renaud, Celui qui est
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Os sons da lira no ruído,
No fogo as faíscas,
Todos os nossos sonhos na noite.
O mundo é uma ratoeira
Onde o prazer leva ao remorso,
Onde o amor leva ao pó,
Onde a ação leva à morte.
E o tempo continua, um enorme círculo,
à volta de um eixo imóvel.
E nada muda a não ser a forma.
E nada permanece a não ser Deus.
- Armand Renaud, Celui qui est
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Na Teogonia o reino do ser é o não-esquecimento, a aparição (alethéa); toda negação de ser vem da manifestação da Noite e seus filhos, entre eles o Esquecimento (léthe, lesmosyne). A linguagem, - que é concebida e experimentada por Hesíodo como uma força múltipla e numinosa que ele nomeia com o nome de Musas, - é filha da Memória, ou seja: deste divino Poder trazer à Presença o não-presente, coisas passadas ou futuras.
- Jaa Torrano, em "Teogonia: a origem dos deuses"
Pintura: Hésiode et la Muse, Gustav Moreau.
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O ponto de vista exotérico, com efeito, está fadado, desde que não é mais vivificado pela presença interior do esoterismo do qual é ao mesmo tempo a irradiação exterior e o véu, a acabar negando a si próprio, no sentido de que a religião, na medida em que nega as realidades metafísicas e iniciáticas e se cristaliza num dogmatismo literalista, engendra inevitavelmente a descrença; a atrofia causada aos dogmas pela privação de sua “dimensão interna” recai sobre eles do exterior, sob a forma de negações heréticas e ateias.
– Frithjof Schuon em "A Unidade Transcendente das Religiões"
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