"Quem quer que defenda uma restauração dos valores depara-se cedo ou tarde com a objeção de que não é possível voltar atrás o, como diz o ditado, "o que passou, passou". Desse modo, a objeção, pressupondo que somos prisioneiros do presente, revela perfeitamente qual é a posição filosófica do modernismo. Aquele que crê na verdade, por outro lado, é compelido a afirmar que as coisas de valor mais elevado não são afetadas pela passagem do tempo. Caso contrário, o próprio conceito de verdade torna-se impossível. Quando afirmamos que desejamos recuperar ideias e valores perdidos, voltamos nossa atenção para um domínio ontológico atemporal. Apenas o mais completo relativismo teima em afirmar que a passagem do tempo torna inalcançável um ideal, enquanto nos obriga a aceitar outros. Portanto, aqueles que dizem que podemos ter a integração do que desejamos e aqueles que negam isso se diferenciam por suas ideias a respeito da realidade última, porque estes postulam a primazia do tempo e da matéria. E esse é o tipo de divisão que nos impede de ter um mundo unido.
Ora, o retorno proposto pelos idealistas não é uma viagem de volta no tempo, mas um retorno ao centro, que deve ser concebido metafísica ou ontologicamente. Eles estão a procura da única coisa que perdura, e não das muitas que mudam e passam, e essa procura só pode ser descrita como a busca pela verdade. Eles estão retornando a antiga afirmação de que há um centro para todas as coisas e chamam a atenção para o fato de que todos os traços da desintegração moderna são frutos do afastamento desse centro em direção à sua periferia. A atual desintegração também pode ser descrita como um movimento que parte da unidade e vai em direção ao individualismo (...).
(...) Em poucas palavras, não é necessário ter um ponto de vista próprio para compreender o que é eterno. Enquanto isso, lembremo-nos de que a ideia mesma de verdades eternas é repugnante à mentalidade moderna." - Richard M. Weaver, As Ideias Têm Consequências.
Ora, o retorno proposto pelos idealistas não é uma viagem de volta no tempo, mas um retorno ao centro, que deve ser concebido metafísica ou ontologicamente. Eles estão a procura da única coisa que perdura, e não das muitas que mudam e passam, e essa procura só pode ser descrita como a busca pela verdade. Eles estão retornando a antiga afirmação de que há um centro para todas as coisas e chamam a atenção para o fato de que todos os traços da desintegração moderna são frutos do afastamento desse centro em direção à sua periferia. A atual desintegração também pode ser descrita como um movimento que parte da unidade e vai em direção ao individualismo (...).
(...) Em poucas palavras, não é necessário ter um ponto de vista próprio para compreender o que é eterno. Enquanto isso, lembremo-nos de que a ideia mesma de verdades eternas é repugnante à mentalidade moderna." - Richard M. Weaver, As Ideias Têm Consequências.
"(...) Daí vem o sintoma mais importante da nossa situação: a extraordinária preferência pela informação factual. É naturalmente impossível que uma pessoa avance sem algum conhecimento que considere confiável. Já que os relativistas disseram que ela não pode possuir a verdade, ela agora possui "fatos". Observa-se que até mesmo na linguagem cotidiana a palavra fato tomou o lugar da palavra verdade. "Isso é um fato", agora é a fórmula da afirmação categórica. Onde o fato é tido como critério, o conhecimento é transformado como algo inacessível. E o povo é instruído sistematicamente a cair nessa confusão fatal entre os fatos particulares e sabedoria. Apareceram nas rádios, nas revistas e nos jornais inúmeros jogos e testes desenvolvidos para medir o estoque de fatos de uma pessoa. O aprendizado de minúcias sem conexão umas com as outras se torna um fim em si mesmo e acaba tomando o lugar do verdadeiro ideal educacional (...). (...) Já há algum tempo a mesma atenção dedicada a assuntos periféricos invadiu as escolas. Devemos reconhecer que isso alcançou os níveis mais altos, transformando os estudos literários em algo absurdo e quase arruinando a história. Naturalmente, a crença de que os fatos falam por si é apenas mais uma renúncia à inteligência." - Richard M. Weaver, As Ideias Têm Consequências.
"Dizem que os médicos, às vezes, perguntam aos pacientes: 'Você quer realmente ficar bom?' E, para ser perfeitamente realista quanto ao assunto em questão, é preciso questionar se a civilização moderna quer mesmo sobreviver. É possível detectar indícios de um impulso suicida; e, por vezes, é possível sentir que o mundo moderno está clamando por músicas mais loucas e por vinhos mais fortes, está suplicando um delírio que o afastará totalmente da realidade." - Richard M. Weaver, As Ideias Têm Consequências.
"Levaste Tales do estádio, Zeus Solar, enquanto ele assistia a uma competição atlética. Louvo-te por havê-lo conduzido para perto de ti, pois o ancião já não podia enxergar os astros daqui da terra."
"Não ouviste? Sepultamos Polêmon, trazido para cá pela enfermidade, o mal terrível dos homens. No entanto, não é Polêmon, mas apenas seu corpo, que ele, indo para os astros, deixou consumido na terra."
"Não, por Zeus, não deixarei de mencionar Lícon, que morreu de gota. Causa-me admiração acima de tudo o fato de ele, que somente podia caminhar com os pés dos outros, em uma única noite ter conseguido percorrer o longo caminho até o Hades."
"Quiseste deixar aos homens, Heracleides, a fama de que logo após a morte te transformaste numa serpente viva. Mas te enganaste, sofista, porque a besta era de fato uma serpente, ao passo que tu revelaste uma besta, e não um sábio."
"Aqui jaz o célebre Zênon, caro a Cítion, que escalou agora o Ôlimpos sem sobrepor o Pélion ao Ossa e sem se cansar com os trabalhos de Héracles, porém descobriu o caminho que leva às estrelas - apenas a moderação."
Epitáfios/Epigramas - Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres.
"Não ouviste? Sepultamos Polêmon, trazido para cá pela enfermidade, o mal terrível dos homens. No entanto, não é Polêmon, mas apenas seu corpo, que ele, indo para os astros, deixou consumido na terra."
"Não, por Zeus, não deixarei de mencionar Lícon, que morreu de gota. Causa-me admiração acima de tudo o fato de ele, que somente podia caminhar com os pés dos outros, em uma única noite ter conseguido percorrer o longo caminho até o Hades."
"Quiseste deixar aos homens, Heracleides, a fama de que logo após a morte te transformaste numa serpente viva. Mas te enganaste, sofista, porque a besta era de fato uma serpente, ao passo que tu revelaste uma besta, e não um sábio."
"Aqui jaz o célebre Zênon, caro a Cítion, que escalou agora o Ôlimpos sem sobrepor o Pélion ao Ossa e sem se cansar com os trabalhos de Héracles, porém descobriu o caminho que leva às estrelas - apenas a moderação."
Epitáfios/Epigramas - Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres.
"A great god is Ahuramazda, who created this earth, who created heaven, who created man, who created happiness for man, who made Xerxes king, one king of many kings, commander of many commanders.
I am Xerxes, the great king, the king of kings, the king of all countries and many men, the king in this great earth far and wide, the son of Darius, an Achaemenid.
King Xerxes says: by the favor of Ahuramazda this Gate of All Nations I built. Much else that is beautiful was built in this Persepolis (Pârsâ), which I built and my father built. Whatever has been built and seems beautiful - all that we built by the favor of Ahuramazda.
King Xerxes says: may Ahuramazda preserve me, my kingdom, what has been built by me, and what has been built by my father. That, indeed, may Ahuramazda preserve." - XPa Innoscription, Gate of All Nations, Persepolis
I am Xerxes, the great king, the king of kings, the king of all countries and many men, the king in this great earth far and wide, the son of Darius, an Achaemenid.
King Xerxes says: by the favor of Ahuramazda this Gate of All Nations I built. Much else that is beautiful was built in this Persepolis (Pârsâ), which I built and my father built. Whatever has been built and seems beautiful - all that we built by the favor of Ahuramazda.
King Xerxes says: may Ahuramazda preserve me, my kingdom, what has been built by me, and what has been built by my father. That, indeed, may Ahuramazda preserve." - XPa Innoscription, Gate of All Nations, Persepolis
"Enquanto em certa ocasião o filósofo tomava sol no Cranêion, Alexandre, O Grande, chegou, pôs-se a sua frente e falou: 'Pede-me o que quiseres!', Diógenes respondeu: 'Deixa-me o meu sol!'.
Diógenes deu a seguinte resposta a alguém que sustentava que não existe o movimento: levantou-se e começou a caminhar.
Platão definira o homem como um animal bípede, sem asas, e recebeu aplausos; Diógenes depenou um galo e o levou ao local das aulas, exclamando: 'Eis o homem de Platão'.
Alguém perguntou: 'Que espécie de homem pensas que Diógenes é?' A resposta de Platão foi: 'Um Sócrates demente.'
Durante o dia Diógenes andava com uma lanterna acesa dizendo: 'Procuro um homem!'
Enquanto ele fazia a refeição na praça do mercado os circunstantes repetiam: 'Cão!', e Diógenes dizia: 'Cães sois vós, que estais à minha volta enquanto faço a minha refeição!'.
Vendo um mau arqueiro, Diógenes sentou-se perto do alvo, dizendo: 'Para não ser atingido.'"
- Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres.
Diógenes deu a seguinte resposta a alguém que sustentava que não existe o movimento: levantou-se e começou a caminhar.
Platão definira o homem como um animal bípede, sem asas, e recebeu aplausos; Diógenes depenou um galo e o levou ao local das aulas, exclamando: 'Eis o homem de Platão'.
Alguém perguntou: 'Que espécie de homem pensas que Diógenes é?' A resposta de Platão foi: 'Um Sócrates demente.'
Durante o dia Diógenes andava com uma lanterna acesa dizendo: 'Procuro um homem!'
Enquanto ele fazia a refeição na praça do mercado os circunstantes repetiam: 'Cão!', e Diógenes dizia: 'Cães sois vós, que estais à minha volta enquanto faço a minha refeição!'.
Vendo um mau arqueiro, Diógenes sentou-se perto do alvo, dizendo: 'Para não ser atingido.'"
- Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres.
"A apresentação difere da imaginação arbitrária. Esta última é na realidade uma visão falsa da mente como acontece nos sonhos, ao passo que a apresentação é impressão na alma, ou seja, um processo de modificação, como admite Crísipos no segundo livro de sua obra Da Alma. (...)
Segundo os estoicos, algumas apresentações devem-se a sensações e outras não; as primeiras são determinadas por um ou mais órgãos sensoriais, enquanto temos as segundas por meio do pensamento, como as relativas a objetos incorpóreos e tudo que é percebido pela razão. As apresentações devidas a sensações formam-se com base no existente e têm a nossa aprovação e nosso consenso. Há, todavia apresentações que são aparências que se nos mostram como se proviessem do existente. (...)
Outra distinção das apresentações é em racionais e irracionais; são racionais as dos seres racionais, e irracionais as dos seres irracionais; as racionais são um efeito da inteligência, e as irracionais não têm nome. Além disso há apresentações técnicas e não-técnicas (por exemplo, ma estátua é olhada de um modo pelo artista e de outro modo pelo leigo.)" - Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres.
Segundo os estoicos, algumas apresentações devem-se a sensações e outras não; as primeiras são determinadas por um ou mais órgãos sensoriais, enquanto temos as segundas por meio do pensamento, como as relativas a objetos incorpóreos e tudo que é percebido pela razão. As apresentações devidas a sensações formam-se com base no existente e têm a nossa aprovação e nosso consenso. Há, todavia apresentações que são aparências que se nos mostram como se proviessem do existente. (...)
Outra distinção das apresentações é em racionais e irracionais; são racionais as dos seres racionais, e irracionais as dos seres irracionais; as racionais são um efeito da inteligência, e as irracionais não têm nome. Além disso há apresentações técnicas e não-técnicas (por exemplo, ma estátua é olhada de um modo pelo artista e de outro modo pelo leigo.)" - Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres.
"Heracleides do Pontos assinala que Pitágoras dizia de si mesmo que em outra encarnação fora Aitalides, e que se considerava filho de Hermes, e que Hermes lhe concedera a graça de escolher o que quisesse, à exceção da imortalidade. Ele pediu para poder, seja enquanto vivo, seja depois de morto, guardar a recordação de tudo que acontecesse. Por isso conseguia recordar-se de tudo enquanto vivo, e depois de morto conservou a mesma memória. Subsequentemente voltou ao mundo no corpo de Êuforbos, e foi ferido por Menêlaos. Êuforbos, por seu turno, dizia que em outra encarnação tinha sido Aitalides, e que havia recebido de Hermes aquela concessão, e contava as peregrinações de sua alma, para quantas plantas e animais sua alma passara e todos os sofrimentos que suportara no Hades, e quais os padecimentos das outras almas."
- Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres.
- Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres.
"Pitágoras dedicou-se principalmente ao estudo do aspecto aritmético da geometria, e descobriu o cânone monocórdio. Não descurou tampouco a medicina. Apolôdoros, o teórico do cálculo, afirma que ele sacrificou uma hecatombe por haver descoberto que o quadrado da hipotenusa num triângulo retângulo é igual à soma dos quadrados de seus catetos. E há um epigrama nos seguintes termos:
"Quando Pitágoras descobriu a famosíssima figura, dedicou-lhe então um famoso sacrifício de bois.""
- Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres.
"Quando Pitágoras descobriu a famosíssima figura, dedicou-lhe então um famoso sacrifício de bois.""
- Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres.
"Se aquilo que chamamos vazio ou espaço, ou aquilo que por natureza é intangível, não tivesse uma existência real, nada haveria em que os corpos pudessem estar, e nada através de que eles pudessem mover-se, como parece que se movem" - Epicurismo, Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres.
"Acostuma-te a crer que a morte nada é para nós. Efetivamente, todos os bens e males estão na sensação, e a morte é a privação das sensações. (...)
Não há realmente nada de terrível na vida para quem tem a consciência clara de que nada existe de terrível na cessação da vida. É insensato, portanto, quem diz que teme a morte não porque sua presença pode causar sofrimento, mas porque sua perspectiva faz sofrer. Aquilo que não perturba quando está presente causa somente um sofrimento infundado quando é esperado. Então o mais pavoroso dos males - a morte - nada é para nós, pois enquanto existimos a morte não está presente, e quando a morte está presente, já não existimos. Nada é, então, a morte para os vivos, e nada é para os mortos, porque para os vivos ela não existe, e os mortos já não existem." - Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres.
Não há realmente nada de terrível na vida para quem tem a consciência clara de que nada existe de terrível na cessação da vida. É insensato, portanto, quem diz que teme a morte não porque sua presença pode causar sofrimento, mas porque sua perspectiva faz sofrer. Aquilo que não perturba quando está presente causa somente um sofrimento infundado quando é esperado. Então o mais pavoroso dos males - a morte - nada é para nós, pois enquanto existimos a morte não está presente, e quando a morte está presente, já não existimos. Nada é, então, a morte para os vivos, e nada é para os mortos, porque para os vivos ela não existe, e os mortos já não existem." - Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres.
"Seria melhor, realmente, aceitar os mitos sobre os deuses do que aceitar ser o escravo do destino adotado pelos filósofos naturalistas, pois os mitos têm como se fosse impressa em si mesmos a esperança de que os deuses podem ceder às preces e homenagens que lhes são prestadas, enquanto o destino dos filósofos naturalistas é uma necessidade inflexível. Tampouco um homem sábio supõe que o acaso seja uma divindade, como crê a maioria, pois não há desordem nos atos dos deuses; nem supõe que seja uma causa, embora incerta, pois não crê que nenhum bem ou mal seja concedido por acaso aos homens de maneira a fazer a vida feliz, embora proporcione o ponto de partida de grandes bens e grandes males. Ele crê que o infortúnio do sábio é melhor que a prosperidade do insensato, pois acha melhor numa ação humana o fracasso daquilo que é bem escolhido que o sucesso por obra do acaso daquilo que é mal escolhido." - Diogenes Laertius, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres
"Primeiramente, então, com os textos dos poetas, para que comecemos daqui, visto que são diversos em relação às palavras, não deem atenção sempre para eles, mas, quando mostrarem para vocês ações ou palavras dos bons homens, deve-se amá-los e invejá-los e o quanto possível tentar ser desse modo; mas, quando se voltarem para a imitação de homens sórdidos, deve-se fugir deles com os ouvidos tapados não menos do que eles mesmos dizem que Odisseu fugiu dos cantos das sereias. De fato, a familiaridade com textos perversos é um caminho para as ações. Por isso, deve-se cuidar da alma com toda guarda. Portanto não vamos elogiar os poetas em tudo, nem quando imitam pessoas que insultam, ralham, são luxuriosas ou beberronas; nem quando definem a felicidade por uma mesa repleta e o canto de odes. E menos de tudo prestaremos atenção quando conversam algo sobre deuses, sobretudo quando narram sobre muitos deles, irmão briga com irmão, pai com filhos, e há uma guerra não declarada destes com os pais." São Basílio Magno
"O texto dele (Pródico de Ceos) é mais ou menos assim: o quanto me lembro do pensamento do homem, visto que não sei de cor as palavras, sei somente que ele diz de modo simples sem metro que, quando Héracles era bastante jovem, tendo quase a mesma idade que vocês agora possuem e estava escolhendo qual caminho tomar, aquele que através de trabalhos levava à virtude, ou o fácil; apareceram para ele duas mulheres e essas eram a Virtude e a Perversidade. Logo, mesmo caladas, mostrou-se pela figura a diferença. De fato, uma é preparada com cosméticos para a beleza, perde-a por causa do luxo e leva consigo todo o enxame de prazeres. Ela, então, mostrava e prometia ainda mais do que isso, tentando arrastar Héracles para si, mas a outra era recurvada, esquálida, mas milhares de suores, trabalhos e perigos, por toda terra e todo mar, e o prêmio disso era tornar-se um deus, como dizia o discurso dele, e esta última Héracles seguiu ate a morte." São Basílio Magno, Carta aos Jovens Sobre a Utilidade da Literatura Pagã.
"Ruthless Love, great bane, great curse to mankind, from thee come deadly strifes and lamentations and groans, and countless pains as well have their stormy birth from thee. Arise, thou god, and arm thyself against the sons of our foes in such guise as when thou didst fill Medea's heart with accursed madness." - Apollonius of Rhodes, The Argonautica.
"Se bastasse ser sincero para ser original, todos seríamos artistas!" Jean Guitton, O Trabalho Intelectual
"(...) and the Sphere it self shews that it was delineated in the time of the Argonautic expedition; for that expedition is delineated in the Asterisms, together with several other ancienter Histories of the Greeks, and without any thing later. There's the golden RAM, the ensign of the Vessel in which Phryxus fled to Colchis; the BULL with brazen hoofs tamed by Jason; and the TWINS, CASTOR and POLLUX, two of the Argonauts, with the SWAN of Leda their mother. There's the Ship ARGO, and HYDRUS the watchful Dragon; with Medea's CUP, and a RAVEN upon its Carcass, the Symbol of Death. There's CHIRON the master of Jason, with his ALTAR and SACRIFICE. There's the Argonaut HERCULES with his DART and VULTURE falling down; and the DRAGON, CRAB and LION, whom he slew; and the HARP of the Argonaut Orpheus. All these relate to the Argonauts. There's ORION the son of Neptune, or as some say, the grandson of Minos, with his DOGS, and HARE, and RIVER, and SCORPION. There's the story of Perseus in the Constellations of PERSEUS, ANDROMEDA, CEPHEUS, CASSIOPEA and CETUS: That of Callisto, and her son Arcas, in URSA MAJOR and ARCTOPHYLAX: That of Icareus and his daughter Erigone in BOOTES, PLAUSTRUM and VIRGO. URSA MINOR relates to one of the Nurses of Jupiter, AURIGA to Erechthonius, OPHIUCHUS to Phorbas, SAGITTARIUS to Crolus the son of the Nurse of the Muses, CAPRICORN to Pan, and AQUARIUS to Ganimede. There's Ariadne's CROWN, Bellerophon's HORSE, Neptune's DOLPHIN, Ganimede's EAGLE, Jupiter's GOAT with her KIDS, Bacchus's ASSES, and the FISHES of Venus and Cupid, and their Parent the SOUTH FISH. These with DELTOTON, are the old Constellations mentioned by Aratus: and they all relate to the Argonauts and their Contemporaries, and to Persons one or two Generations older: and nothing later than that Expedition was delineated there Originally. ANTINOUS and COMA BERENICES are novel. The Sphere seems therefore to have been formed by Chiron and Musæus, for the use of the Argonauts: for the Ship Argo was the first long ship built by the Greeks." - Isaac Newton, The Chronology of Ancient Kingdoms Amended
"So then, the believing that the world was framed by one supreme God, and is governed by him; and the loving and worshipping him, and honouring our parents, and loving our neighbour as our selves, and being merciful even to brute beasts, is the oldest of all religions: and the Original of letters, agriculture, navigation, music, arts and sciences, metals, smiths and carpenters, towns and houses, was not older in Europe than the days of Eli, Samuel and David." - Isaac Newton, The Chronology of Ancient Kingdoms Amended
"A impossibilidade metafísica ou absoluta é a que se refere à mesma essência das coisas; por outra, um facto é absolutamente impossível, quando sua existência envolver consigo o absurdo: ser e não ser ao mesmo tempo. Um círculo triangular é um impossível absoluto; porque seria e não seria ao mesmo tempo um círculo; porque seria e não seria um triângulo. (...)
(...) O que é absolutamente impossível não poderia existir em caso algum. Quando dizemos que Deus é omnipotente, não queremos dizer que haja nele o poder de fazer absurdos. A existência e a não existência ao mesmo tempo, do mundo, de Deus, o vício virtuoso e outras incoerências desta ordem, evidentemente não podem estar debaixo da ação da omnipotência. Como muito bem observou Sto. Tomás, devemos dizer que tais coisas não podem ser feitas e não que Deus as não pode fazer. (...)
(...) A afirmação duma impossibilidade absoluta implica ideia perfeitamente clara de termos julgados contraditórios. (...)
(...) A impossibilidade física ou natural consiste em um facto estar fora das leis da natureza. (...)
(...) Deus, que estabeleceu estas leis, tem poder para as suspender, o homem é que o não pode. O que naturalmente é possível para Deus, não o é para a criatura. (...)" - Jaime Balmes, O Critério
(...) O que é absolutamente impossível não poderia existir em caso algum. Quando dizemos que Deus é omnipotente, não queremos dizer que haja nele o poder de fazer absurdos. A existência e a não existência ao mesmo tempo, do mundo, de Deus, o vício virtuoso e outras incoerências desta ordem, evidentemente não podem estar debaixo da ação da omnipotência. Como muito bem observou Sto. Tomás, devemos dizer que tais coisas não podem ser feitas e não que Deus as não pode fazer. (...)
(...) A afirmação duma impossibilidade absoluta implica ideia perfeitamente clara de termos julgados contraditórios. (...)
(...) A impossibilidade física ou natural consiste em um facto estar fora das leis da natureza. (...)
(...) Deus, que estabeleceu estas leis, tem poder para as suspender, o homem é que o não pode. O que naturalmente é possível para Deus, não o é para a criatura. (...)" - Jaime Balmes, O Critério
"O herói sofocliano não encontra posição no mundo em função dos valores elevados que defende: bravura e honra. São aspectos pelos quais ele guerreia desde Homero, e que lhe conferem aura sublime. O isolamento em que se mantém é absoluto e é por causa dessa condição extrema que o admiramos. Nada demove Ájax, Antígone ou Filoctetes da decisão extrema, e não estranhamos o horror que o argumento de conveniência lhes desperta, ou a mera hipótese do acordo apaziguador. A solução é a que defendem ou a única saída que lhes resta é a morte. Não se trata propriamente da defesa do valor pessoal, mas da manutenção de um código de valores sublimes criados no âmbito da sociedade aristocrática homérica. A beleza dos referenciais elevados transforma a morte num ato igualmente belo. (...) Nesse sentido, a morte não significa impossibilidade, mas necessidade, não simboliza o final da vida, mas seu coroamento. (...)
Antígone representa a têmpora do heroísmo homérico, a inflexibilidade que encontramos em Aquiles ou Ájax. A tensão interna de Medeia é de outra natureza, nova na tradição poética grega. Seu isolamento tem a ver com o sentimento de solidão e abandono, com uma desestruturação de uma ordem sujeita ao oportunismo. Sua reação inédita diante de motivações vazias da grandeza do heroísmo tradicional é responsável pela concepção original da peça. (...)
Jasão não teria tido conhecimento suficiente para manter-se vivo, conhecimento este que Medeia se mostrou dotada, ao lhe propiciar o sucesso. É o valor da sophía que parece estar em jogo; é o reconhecimento desse valor que no fundo Medeia reivindica. Não é um conceito propriamente heroico o que está presente. Em Homero ou em Sófocles, os personagens solicitam o reconhecimento de valores tradicionais, como bravura ou ritos imêmores. Medeia requer o reconhecimento de um traço intelectual seu, responsável pela sobrevivência de Jasão. (...)
Eurípides nos dá a impressão de não escrever propriamente peças trágicas, mas de exercitar e pesquisar novos parâmetros do texto dramático. (...) Ela deixa de ser a manifestação do monstruoso (desvelamento da pequenez humana diante da magnitude divina), para se tornar a expressão da monstruosidade (desvelamento da patologia anímica do homem diante de si mesmo)." Eurípides, Medeia - Trajano Vieira, O Destemor de Medeia e o Teatro de Horror
Antígone representa a têmpora do heroísmo homérico, a inflexibilidade que encontramos em Aquiles ou Ájax. A tensão interna de Medeia é de outra natureza, nova na tradição poética grega. Seu isolamento tem a ver com o sentimento de solidão e abandono, com uma desestruturação de uma ordem sujeita ao oportunismo. Sua reação inédita diante de motivações vazias da grandeza do heroísmo tradicional é responsável pela concepção original da peça. (...)
Jasão não teria tido conhecimento suficiente para manter-se vivo, conhecimento este que Medeia se mostrou dotada, ao lhe propiciar o sucesso. É o valor da sophía que parece estar em jogo; é o reconhecimento desse valor que no fundo Medeia reivindica. Não é um conceito propriamente heroico o que está presente. Em Homero ou em Sófocles, os personagens solicitam o reconhecimento de valores tradicionais, como bravura ou ritos imêmores. Medeia requer o reconhecimento de um traço intelectual seu, responsável pela sobrevivência de Jasão. (...)
Eurípides nos dá a impressão de não escrever propriamente peças trágicas, mas de exercitar e pesquisar novos parâmetros do texto dramático. (...) Ela deixa de ser a manifestação do monstruoso (desvelamento da pequenez humana diante da magnitude divina), para se tornar a expressão da monstruosidade (desvelamento da patologia anímica do homem diante de si mesmo)." Eurípides, Medeia - Trajano Vieira, O Destemor de Medeia e o Teatro de Horror
"O teatro grego é de origem religiosa; nunca houve dúvidas a esse respeito - as tragédias, e em certo sentido, também as comédias - foram representadas assim como se realizam festas litúrgicas. (...) Podemos continuar adotando a genial intuição de Nietzsche: a tragédia grega é a transformação apolínea de ritos dionisíacos. (...)
O teatro grego é mais retórico e mais lírico do que o moderno. Os discursos extensos que os gregos não se cansavam de ouvir, seriam insuportáveis para o espectador moderno, que prefere, ao ouvir discursos, ver e viver a ação. O grego, ao que parece, frequentava o teatro para se deixar convencer da justeza de uma causa, como se estivesse assistindo à audiência do tribunal ou à sessão da Assembleia. (...)
Assim, a tragédia era uma discussão parlamentar, na qual se debatia, lançando-se mão de todos recursos para influenciar o público, um mito da religião do Estado. Considerando-se isto, as concorrências dos poetas, que apresentaram peças, perdem o caráter de competição esportiva: a vitória não cabia ao maior poeta ou à melhor poesia dramática, mas à peça que impressionava mais profundamente; quer dizer, à peça em que o mito estava reinterpretado de tal maneira que o público se convencia dessa interpretação e - podemos acrescentar - por isso o Estado a aceitava. Tratava-se de um acontecimento religioso-político que ocorria uma só vez. O teatro grego não conheceu representações em série. Com a representação solene, a causa estava julgada, a lei votada. O verdadeiro fim do teatro grego - assim reza a tese sociológica - era a sanção duma modificação da ordem social por meio de uma representação do mito.
Esta interpretação do teatro grego não pode ser, evidentemente, de aplicação geral. Não se aplica, pelo menos em parte, ao teatro de Eurípides; só nesse sentido esse grande poeta representa a decadência do teatro grego. (...) Talvez seja mesmo impossível dar uma interpretação geral do teatro grego, porque não o conhecemos suficientemente. Só conhecemos o teatro ateniense, e deste, apenas poucas peças, de três dramaturgos. Mas entre eles está o maior de todos, aquele que criou o verdadeiro teatro grego e já representa o seu apogeu. O sentido profundo do teatro grego revela-se em Ésquilo.
Ésquilo é poeta duma época na qual religião e política, Estado e família se confundem, porque os elementos dessa equação ainda têm feição arcaica. O Estado, em Ésquilo, é uma federação de famílias da mesma raça, ligadas pelo culto dos mesmos deusas. São conceitos primitivos, de aristocracia homérica, governando a Pólis, a Cidade. Mas essa Cidade de Atenas está se democratizando, e com o advento de novas classes sociais modificam-se os conceitos de culto e de direito. A época homérica, 'iluminada pelo sol sobre o mar Jônio', parece agora um passado noturno, desumano. (...) Na época de Ésquilo, as leis primitivas da família, do clã, chocam-se com a consciência humana; daí a força trágica de Os Sete contra Tebas, talvez a peça mais trágica do teatro grego. (...) O teatro de Ésquilo trata, deste modo, de destinos coletivos, não de indivíduos. Por isso é capaz de representar os grandes conflitos na Cidade e decidi-los por reinterpretações do mito. Porque o mito continua como símbolo supremo da ligação entre o mundo divino e o mundo humano. Nada se modifica no mundo humano sem modificação correspondente no mundo divino; o Estado precisa da sanção mitológica dos seus atos, e é o teatro que lhe permite o uso dinâmico dos mitos para sancionar a nova ordem social. A Oréstia é simultaneamente tragédia familiar, política e religiosa: na família de Agamêmnon e Clitemnestra, a lei bárbara da vingança leva ao assassínio e à loucura; mas o julgamento de Orestes pelo Areópago, o tribunal do Estado, vencem os novos deuses da Cidade sobre as divindades noturnas. As 'fúrias' se transformam em 'eumênides' e esse eufemismo religioso é a sanção religiosa do novo direito. A Oréstia é a maior tragédia política de todos os tempos. Mas não é só isso.
O teatro grego é mais retórico e mais lírico do que o moderno. Os discursos extensos que os gregos não se cansavam de ouvir, seriam insuportáveis para o espectador moderno, que prefere, ao ouvir discursos, ver e viver a ação. O grego, ao que parece, frequentava o teatro para se deixar convencer da justeza de uma causa, como se estivesse assistindo à audiência do tribunal ou à sessão da Assembleia. (...)
Assim, a tragédia era uma discussão parlamentar, na qual se debatia, lançando-se mão de todos recursos para influenciar o público, um mito da religião do Estado. Considerando-se isto, as concorrências dos poetas, que apresentaram peças, perdem o caráter de competição esportiva: a vitória não cabia ao maior poeta ou à melhor poesia dramática, mas à peça que impressionava mais profundamente; quer dizer, à peça em que o mito estava reinterpretado de tal maneira que o público se convencia dessa interpretação e - podemos acrescentar - por isso o Estado a aceitava. Tratava-se de um acontecimento religioso-político que ocorria uma só vez. O teatro grego não conheceu representações em série. Com a representação solene, a causa estava julgada, a lei votada. O verdadeiro fim do teatro grego - assim reza a tese sociológica - era a sanção duma modificação da ordem social por meio de uma representação do mito.
Esta interpretação do teatro grego não pode ser, evidentemente, de aplicação geral. Não se aplica, pelo menos em parte, ao teatro de Eurípides; só nesse sentido esse grande poeta representa a decadência do teatro grego. (...) Talvez seja mesmo impossível dar uma interpretação geral do teatro grego, porque não o conhecemos suficientemente. Só conhecemos o teatro ateniense, e deste, apenas poucas peças, de três dramaturgos. Mas entre eles está o maior de todos, aquele que criou o verdadeiro teatro grego e já representa o seu apogeu. O sentido profundo do teatro grego revela-se em Ésquilo.
Ésquilo é poeta duma época na qual religião e política, Estado e família se confundem, porque os elementos dessa equação ainda têm feição arcaica. O Estado, em Ésquilo, é uma federação de famílias da mesma raça, ligadas pelo culto dos mesmos deusas. São conceitos primitivos, de aristocracia homérica, governando a Pólis, a Cidade. Mas essa Cidade de Atenas está se democratizando, e com o advento de novas classes sociais modificam-se os conceitos de culto e de direito. A época homérica, 'iluminada pelo sol sobre o mar Jônio', parece agora um passado noturno, desumano. (...) Na época de Ésquilo, as leis primitivas da família, do clã, chocam-se com a consciência humana; daí a força trágica de Os Sete contra Tebas, talvez a peça mais trágica do teatro grego. (...) O teatro de Ésquilo trata, deste modo, de destinos coletivos, não de indivíduos. Por isso é capaz de representar os grandes conflitos na Cidade e decidi-los por reinterpretações do mito. Porque o mito continua como símbolo supremo da ligação entre o mundo divino e o mundo humano. Nada se modifica no mundo humano sem modificação correspondente no mundo divino; o Estado precisa da sanção mitológica dos seus atos, e é o teatro que lhe permite o uso dinâmico dos mitos para sancionar a nova ordem social. A Oréstia é simultaneamente tragédia familiar, política e religiosa: na família de Agamêmnon e Clitemnestra, a lei bárbara da vingança leva ao assassínio e à loucura; mas o julgamento de Orestes pelo Areópago, o tribunal do Estado, vencem os novos deuses da Cidade sobre as divindades noturnas. As 'fúrias' se transformam em 'eumênides' e esse eufemismo religioso é a sanção religiosa do novo direito. A Oréstia é a maior tragédia política de todos os tempos. Mas não é só isso.