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O Último Arconte ♄
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Canal dedicado ao estudo de temas tradicionais e reflexões pessoais.
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“O coração do rei está nas mãos do Senhor.” — Um rei é escravo da história. 1/4

O homem vive conscientemente para si mesmo, mas é um instrumento inconsciente na realização dos objetivos históricos e universais da humanidade. Um ato realizado é irrevogável, e seu resultado, coincidindo no tempo com as ações de milhões de outros homens, assume um significado histórico. Quanto mais alto um homem se encontra na escala social, quanto mais pessoas ele está conectado e quanto mais poder ele tem sobre os outros, mais evidente é a predestinação e inevitabilidade de cada uma de suas ações.

“O coração do rei está nas mãos do Senhor.”

Um rei é escravo da história.

A história, ou seja, a vida inconsciente, geral e coletiva da humanidade, usa cada momento da vida dos reis como uma ferramenta para seus próprios fins.
- Tolstoi. Guerra e Paz. IX, 1.
“O coração do rei está nas mãos do Senhor.” — Um rei é escravo da história. 2/4

Embora Napoleão, naquela época, em 1812, estivesse mais convencido do que nunca de que dependia dele verser (ou ne pas verser) le sang de ses peuples *— como Alexandre expressou na última carta que lhe escreveu —, ele nunca estivera tão preso às leis inevitáveis, que o obrigavam, enquanto pensava que estava agindo por sua própria vontade, a realizar para a vida da colmeia — ou seja, para a história — tudo o que precisava ser realizado.

[...]

Quando uma maçã amadurece e cai, por que ela cai? Por causa de sua atração pela terra, porque seu pedúnculo murcha, porque é seca pelo sol, porque fica mais pesada, porque o vento a sacode ou porque o menino que está embaixo quer comê-la?
- Tolstoi. Guerra e Paz. IX, 1
“O coração do rei está nas mãos do Senhor.” — Um rei é escravo da história. 3/4

Nada é a causa. Tudo isso é apenas a coincidência de condições nas quais todos os eventos orgânicos e elementares vitais ocorrem. E o botânico que descobre que a maçã cai porque o tecido celular se decompõe e assim por diante está igualmente certo quanto a criança que está debaixo da árvore e diz que a maçã caiu porque ele queria comê-la e rezou para que isso acontecesse. Igualmente certo ou errado está aquele que diz que Napoleão foi a Moscou porque quis e pereceu porque Alexandre desejava sua destruição, e aquele que diz que uma colina minada pesando um milhão de toneladas caiu porque o último operário a golpeou pela última vez com sua enxada. Nos eventos históricos, os chamados grandes homens são rótulos que dão nomes aos eventos e, como rótulos, têm apenas a menor conexão com o evento em si.
- Tolstoi. Guerra e Paz. IX, 1
“O coração do rei está nas mãos do Senhor.” — Um rei é escravo da história. 4/4

Cada ato deles, que lhes parece um ato de sua própria vontade, é, em sentido histórico, involuntário e está relacionado com todo o curso da história e predestinado desde a eternidade.

- Tolstoi. Guerra e Paz. IX, 1

O verdadeiro monarca se sente lisonjeado em viver sob o olhar da Providência. Este não é mero escravo, mas um homem, verdadeiramente, livre.
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A Aristocracia Verdadeira

Acredito numa verdadeira aristocracia da personalidade, na existência de homens geniais e de grandes homens que reconhecem sempre o dever de servir e sentem a necessidade não só de ascender, mas também de descender. Mas não acredito na aristocracia de um grupo, numa aristocracia fundada na seleção social. Não há nada mais repugnante do que o desprezo pela massa popular entre aqueles que se consideram a elite.

- N. Berdyaev. Escravidão e Liberdade. Introdução.
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Forwarded from Cabo Das Tormentas
Melancólico eras tu, ó cavaleiro!
Melancólico e longe de toda a sinfonia,
E pensavas em tua própria liturgia,
Aquilo que tu mais desejavas, ó escudeiro!

Cristais correm tortuosos em teu rosto,
E teus rubros lábios se abrem ao cantar:
"Onde estás, vida? Onde andas a peregrinar?
Onde estás, senhora? Onde fica o teu posto?"

Sim, amei-te, ó minha humilde Dama,
Amei-te por toda a tua altíssima nobreza,
Mas sucumbi em minha amarga crueza,
E devo tornar esta minha própria lama.

Farei dos longos Alpes meu eremitério,
Para que eu te prive da minha escória.
Os altos cumes de minha vida inglória
Escondem de ti as ruínas do império.


Friedrich Schlegel — Alarcos
(1802). Traduzido por um amigo
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A Tarefa Comum, a Tradição e o Progresso.

O progresso moral só pode consistir em um cumprimento melhor e mais abrangente dos deveres que decorrem da tradição. [...] Se a pedagogia deve basear-se num princípio universal positivo, indiscutível do ponto de vista moral e que confira valor absoluto aos seus objetivos, ela só pode encontrá-lo no vínculo indissolúvel entre as gerações que se apoiam mutuamente na promoção de uma tarefa comum — a tarefa de preparar a revelação do reino de Deus e a ressurreição universal.


- V. Solovyev. Justificação do Bem. X. 5.
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O progresso, ou melhor, o decurso da história em sua relação com os valores transmitidos entre gerações, geralmente, é mais uma fatalidade que um valor, ele acontece e somos obrigados a lidar com isso. O autor argumenta contra o formalismo moral, contra o relativismo, e em favor da continuidade da essência da moral, caracterizada pelo ideal religioso e pelo vínculo geracional.
Shankara sobre os Ritos

Assim, foi afirmado que a meditação e os ritos juntos levam à identificação com Hiraṇyagarbha. Não há possibilidade de dúvida quanto a isso. Portanto, surge a dúvida se, na ausência de ritos, a meditação sozinha pode levar a esse resultado ou não. Para saná-la, o texto diz: Esta meditação na força vital certamente conquista o mundo (Hiraṇyagarbha), mesmo que esteja dissociada dos ritos. Ele não precisa orar para não ser inadequado para este mundo, pois aquele que já realizou sua identidade com Hiraṇyagarbha não pode orar para alcançá-lo. Um homem que já está em uma aldeia não está ansioso para saber quando chegará lá, como um homem que está em uma floresta. A expectativa é sempre sobre algo remoto, algo além de si mesmo; é impossível em relação ao próprio eu. Portanto, não há chance de ele temer perder a identificação com Hiraṇyagarbha.


- Brhadaranayaka Upanishad Shankara Bhashya. I. 3. 28.
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Pré-socratismo Americano

Nessa linha, de filosofar engajado ou imitativo, as possibilidades, embora poucas, são reais e estão ligadas ao aumento da europeização e a uma participação mais íntima e essencial em seu espírito. Aqueles que trabalham nessa linha devem fechar um pouco os olhos para a realidade circundante que, como uma matilha de cães, cerca o pensador atemporal, e fixar sua atenção especulativa na tradição greco-medieval ou na filosofia do Espírito Absoluto, que são as duas possibilidades que, em última análise, e sob a multiplicidade de escolas, são oferecidas à Europa. Mas aqueles que filosofam genuinamente como americanos não têm outra opção senão o pensamento elementar dirigido ao Ser objetivo-existencial, à realidade fantasmagórica e ininteligível, carregada de potencial e máxima intencionalidade. E esse pré-socratatismo americano será, no fim, uma contribuição efetiva para a recuperação do sentido greco-medieval do ser.


-Nímio de Anquin. El ser visto desde America
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O Último Arconte ♄
Pré-socratismo Americano Nessa linha, de filosofar engajado ou imitativo, as possibilidades, embora poucas, são reais e estão ligadas ao aumento da europeização e a uma participação mais íntima e essencial em seu espírito. Aqueles que trabalham nessa linha…
Aqui o autor dá dois caminhos para o pensador americano: seguir filosofando como um europeu ou transpor a novidade da América à filosofia e inaugurar um descobrimento do Ser nestas terras, como os pré-socraticos, não alienados pela abstração, mas absortos nesse desvelar parmenidiano que Heidegger fala. Talvez essa novidade, esse redescobrimento da filosofia pelo genius loci da terra descoberta seja a chave para a restauração do que se perdeu no Velho Mundo... A possibilidade de rejuvenescimento.
O Último Arconte ♄
Aqui o autor dá dois caminhos para o pensador americano: seguir filosofando como um europeu ou transpor a novidade da América à filosofia e inaugurar um descobrimento do Ser nestas terras, como os pré-socraticos, não alienados pela abstração, mas absortos…
O A. Buela vai se basear nisso aqui para dizer que a noção cultural/civilizacional do iberoamericano deve se dar nos mesmos termos, objetivo-existencial, devemos formar essa noção pelo que somos (existencial), mas especialmente por nosso contexto (objetivo), não se é ibérico, ou seja lá o que for, nas Américas, se é outra coisa, definida pelo contexto, conhecer esse contexto nos é fundamental. Apenas nessa reflexão a partir do outro podemos voltar a nós mesmos e nos conhecermos, nossa grande vantagem é que o nosso "eu" não está em uma noção identitária já formada, mas em algo atual e em formação, e cabe a nós, conhecendo a nós mesmos, cultivarmos o que está se desenvolvendo.
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É lícito desprezar as leis estabelecidas pelo diabo.

Portanto, é razoável formar convenções contra as leis estabelecidas para a defesa da verdade. De fato, se para expulsar o tirano usurpador do poder da cidade, as pessoas formassem convenções secretas, o ato que praticariam seria honesto. O mesmo sucede aos cristãos: sob a tirania daquele que é denominado diabo, e da mentira, formam convenções desprezando as leis estabelecidas pelo diabo, contra o diabo, e para a salvação das outras pessoas que eles podem convencer a se livrarem daquilo que é como uma lei de citas e de tirano.


- Orígenes. Contra Celso
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Forwarded from Alexandria Apócrifa
Apocatástase em Máximo que não implica em Salvação Universal para todos.

Quando vier o Juízo, a razão da natureza será a balança que pesará cada pensamento, pois ela mostra o movimento que pende para mal ou para o bem, movimento segundo o qual se dá ou não a participação na vida divina. Com efeito, por sua presença, Deus manterá no ser e no ser eterno a todas as criaturas. Mas não o fará de um modo particular, no ser eterno pleno de felicidade, senão aos anjos e aos santos homens, deixando aos que não o são o ser eternamente infeliz, como o fruto alterado de seus pensamentos.


_ São Máximo, o Confessor - Centúrias sobre a teologia e a economia da encarnação do Verbo de Deus - Sexta Centúria - Cap. 55
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Está chegando rapidamente o momento em que todos terão que se perguntar se o “progresso” foi realmente progresso ou se foi uma “reação” perversa, um afastamento do significado do universo e dos fundamentos autênticos da vida.
[...]
Onde não há Deus, não há Homem, é isso que aprendemos com a experiência.


— N. Berdyaev. O Fim de Nosso Tempo. II, 1-2.
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Descobrimento

"O sentido continental nasce com a descoberta hispânica da América, dado que antes da descoberta não existia tal sentido. É o mundo ibérico que introduz a noção de pertença a uma ecúmene cultural de caráter continental como o é a América Ibérica".

— Alberto Buela

Gustavo Bueno definirá que a comunidade política tem início a partir da relação com o solo, a isso denomina "camada basal" de um Estado. É clara para nós a importância do Descobrimento. Ele alterou a camada basal hispânica, engendrando nessa cultura uma potencialidade imperial antes inexistente. Para nós, iberoamericanos, só significa uma coisa: a vocação imperial da Pátria Grande, com capacidade de voltar a si mesma. Esta é a perfeição das potências de fundo basal da Hispania. Por outro lado, a essas terras a hispanidade trouxe a possibilidade de unidade. Hispania e América, a combinação base da Civilização Austral.

https://www.youtube.com/watch?v=JOpf5gSxGNE&list=RDJOpf5gSxGNE&start_radio=1
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O Último Arconte ♄
Qual assunto te interessa mais? (Tema do próximo artigo)
Eu não esqueci. Assim que terminar algumas pendências e leituras, nessa período de fim de ano eu vou escrever o textinho sobre São Paulo. Espero que se agradem dele.
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Autor: Eugene Montale.
Tradução: Astralis.
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É simplesmente isso. Ou talvez nós sejamos o maestro, e nosso espírito esteja tão ralo quanto o sangue de uma geração onde os descendentes não mais se parecem em nada com os ascendentes. O futuro foi cancelado e a grandeza banida ao passado. As manifestações disso no presente se dão em forma de doença e loucura, mas mesmo elas nunca levam a nada.

Talvez alguém com espírito forte, que não se deixe determinar pelas amarras do fado moderno, possa fazer esse futuro banido do horizonte acontecer... E se o fizer, o fará em seus próprios termos.
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Feliz natal, pessoal.
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