A Divindade do Nous - Platão
- Alcebíades I. 133c.
Sócrates. Temos, então, a dizer que há algo mais divino do que esta parte da alma, acerca da qual é o saber e o pensar? [i.e do Nous]
Alcebíades. Não temos.
SO. A esta parte, pois, ela se assemelha ao deus; e alguém, olhando para isto e conhecendo todo o divino — tanto o deus como a inteligência — desse modo mais plenamente conheceria também a si mesmo.
AL. Assim parece.
SO. Será, então, que, assim como há espelhos mais claros, mais puros e mais brilhantes do que o espelho dentro do olho, assim também o Deus é mais puro e mais luminoso do que o melhor que há em nossa alma?
AL. Assim parece, ó Sócrates.
SO. Olhando, pois, para o Deus, usaríamos aquele belíssimo espelho também quanto às coisas humanas, em direção à virtude da alma, e assim veríamos e conheceríamos a nós mesmos do modo mais pleno.
- Alcebíades I. 133c.
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A Divindade do Nous - Aristóteles
Quando ele inquire se é um Deus ou uma parte divina do homem, se refere à doutrina sobre o Daemon pessoal. A associação com a palavra eudaemonia (felicidade) é no mínimo tentadora.
- Arist. Nic. Eth. X, 7.
Se a felicidade é atividade conforme à virtude, será razoável que ela esteja
também em concordância com a mais alta virtude; e essa será a do que existe de melhor em nós. Seja o intelecto ou outra coisa que que é essa parte que é dita ser nosso governante natural e guia e inteligir as coisas nobres e divinas, seja ele também divino ou apenas o elemento mais divino em nós, sua atividade em acordo com sua própria virtude será eudaemonia completa/perfeita. Que essa atividade é contemplativa/iluminativa (teorética), já dizemos. [...]
Quando ele inquire se é um Deus ou uma parte divina do homem, se refere à doutrina sobre o Daemon pessoal. A associação com a palavra eudaemonia (felicidade) é no mínimo tentadora.
[... a contemplação/theoria] parece ser a única [atividade] que é amada por si mesma, pois dela nada decorre além da própria contemplação, ao passo que das atividades práticas sempre tiramos maior ou menor proveito, à parte da ação.
[...]
a atividade da razão, que é contemplativa, tanto parece ser superior e mais valiosa pela sua seriedade como não visar a nenhum fim além de si mesma e possuir o seu prazer próprio (o qual, por sua vez, intensifica a atividade), e a auto-suficiência, os lazeres, a isenção de fadiga (na medida em que isso é possível ao homem), e todas as demais qualidades que são atribuídas ao homem sumamente feliz são, evidentemente, as que se relacionam com essa atividade, segue-se que essa será a felicidade completa do homem, se ele tiver uma existência completa quanto à duração (pois nenhum dos atributos da felicidade é incompleto).
Mas uma tal vida é inacessível ao homem, pois não será na medida em que é homem que ele viverá assim, mas na medida em que possui em si algo de divino; e tanto quanto esse elemento é superior à nossa natureza composta, o é também a sua atividade ao exercício da outra espécie de virtude.
Se, portanto, o nous é divino em comparação com o homem, a vida conforme o nous é divina em comparação com a vida humana. Mas não devemos seguir os que nos aconselham a ocupar-nos com coisas humanas, visto que somos homens, e com coisas mortais, visto que somos mortais; mas, na medida em que isso for possível, procuremos tornar-nos imortais e envidar todos os esforços para viver de acordo com o que há de melhor em nós; porque, ainda que seja pequeno quanto ao lugar que ocupa, supera a tudo o mais pelo poder e pelo valor.
- Arist. Nic. Eth. X, 7.
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A Divindade do Nous - Aristóteles
Arist. Nic. Eth. X, 7.
Reflexão Completa.
Se, portanto, o nous é divino em comparação com o homem, a vida conforme o nous é divina em comparação com a vida humana. Mas não devemos seguir os que nos aconselham a ocupar-nos com coisas humanas, visto que somos homens, e com coisas mortais, visto que somos mortais; mas, na medida em que isso for possível, procuremos tornar-nos imortais e envidar todos os esforços para viver de acordo com o que há de melhor em nós; porque, ainda que seja pequeno quanto ao lugar que ocupa, supera a tudo o mais pelo poder e pelo valor.
Arist. Nic. Eth. X, 7.
Reflexão Completa.
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A Consumação das Eras / A Synteleia dos Aeons
- Livro de São Hieroteu, IV. Atribuído a Estevão bar Shudayli.
Todas essas doutrinas, que são desconhecidas até mesmo para os anjos, eu revelei a você, meu filho, embora eu seja desprezado pelos homens por causa disso. Saiba, então, que toda a natureza se confundirá com o Pai, que nada perecerá ou será destruído, mas tudo retornará, será santificado, unido e confundido. Assim, Deus será tudo em todos. Até mesmo o inferno passará e os condenados retornarão. Todas as ordens e distinções cessarão. Deus passará, Cristo deixará de existir e o Espírito não será mais chamado de espírito. Apenas a essência permanecerá.
- Livro de São Hieroteu, IV. Atribuído a Estevão bar Shudayli.
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Nosso Nous é uma imagem de Dioniso.
- Proclo, Crátilo.
O intelecto em nós é dionisíaco e verdadeiramente uma imagem de Dioniso. Portanto, qualquer um que transgrida contra ele e, como os Titãs, disperse sua natureza indivisa por meio de falsidades fragmentadas, essa pessoa claramente peca contra o próprio Dioniso, ainda mais do que aqueles que transgridem contra imagens externas do Deus, na medida em que o intelecto, mais do que qualquer outra coisa, é semelhante ao Deus.
- Proclo, Crátilo.
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“O coração do rei está nas mãos do Senhor.” — Um rei é escravo da história. 1/4
O homem vive conscientemente para si mesmo, mas é um instrumento inconsciente na realização dos objetivos históricos e universais da humanidade. Um ato realizado é irrevogável, e seu resultado, coincidindo no tempo com as ações de milhões de outros homens, assume um significado histórico. Quanto mais alto um homem se encontra na escala social, quanto mais pessoas ele está conectado e quanto mais poder ele tem sobre os outros, mais evidente é a predestinação e inevitabilidade de cada uma de suas ações.- Tolstoi. Guerra e Paz. IX, 1.
“O coração do rei está nas mãos do Senhor.”
Um rei é escravo da história.
A história, ou seja, a vida inconsciente, geral e coletiva da humanidade, usa cada momento da vida dos reis como uma ferramenta para seus próprios fins.
“O coração do rei está nas mãos do Senhor.” — Um rei é escravo da história. 2/4
Embora Napoleão, naquela época, em 1812, estivesse mais convencido do que nunca de que dependia dele verser (ou ne pas verser) le sang de ses peuples *— como Alexandre expressou na última carta que lhe escreveu —, ele nunca estivera tão preso às leis inevitáveis, que o obrigavam, enquanto pensava que estava agindo por sua própria vontade, a realizar para a vida da colmeia — ou seja, para a história — tudo o que precisava ser realizado.- Tolstoi. Guerra e Paz. IX, 1
[...]
Quando uma maçã amadurece e cai, por que ela cai? Por causa de sua atração pela terra, porque seu pedúnculo murcha, porque é seca pelo sol, porque fica mais pesada, porque o vento a sacode ou porque o menino que está embaixo quer comê-la?
“O coração do rei está nas mãos do Senhor.” — Um rei é escravo da história. 3/4
Nada é a causa. Tudo isso é apenas a coincidência de condições nas quais todos os eventos orgânicos e elementares vitais ocorrem. E o botânico que descobre que a maçã cai porque o tecido celular se decompõe e assim por diante está igualmente certo quanto a criança que está debaixo da árvore e diz que a maçã caiu porque ele queria comê-la e rezou para que isso acontecesse. Igualmente certo ou errado está aquele que diz que Napoleão foi a Moscou porque quis e pereceu porque Alexandre desejava sua destruição, e aquele que diz que uma colina minada pesando um milhão de toneladas caiu porque o último operário a golpeou pela última vez com sua enxada. Nos eventos históricos, os chamados grandes homens são rótulos que dão nomes aos eventos e, como rótulos, têm apenas a menor conexão com o evento em si.- Tolstoi. Guerra e Paz. IX, 1
“O coração do rei está nas mãos do Senhor.” — Um rei é escravo da história. 4/4
- Tolstoi. Guerra e Paz. IX, 1
O verdadeiro monarca se sente lisonjeado em viver sob o olhar da Providência. Este não é mero escravo, mas um homem, verdadeiramente, livre.
Cada ato deles, que lhes parece um ato de sua própria vontade, é, em sentido histórico, involuntário e está relacionado com todo o curso da história e predestinado desde a eternidade.
- Tolstoi. Guerra e Paz. IX, 1
O verdadeiro monarca se sente lisonjeado em viver sob o olhar da Providência. Este não é mero escravo, mas um homem, verdadeiramente, livre.
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A Aristocracia Verdadeira
- N. Berdyaev. Escravidão e Liberdade. Introdução.
Acredito numa verdadeira aristocracia da personalidade, na existência de homens geniais e de grandes homens que reconhecem sempre o dever de servir e sentem a necessidade não só de ascender, mas também de descender. Mas não acredito na aristocracia de um grupo, numa aristocracia fundada na seleção social. Não há nada mais repugnante do que o desprezo pela massa popular entre aqueles que se consideram a elite.
- N. Berdyaev. Escravidão e Liberdade. Introdução.
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Forwarded from Cabo Das Tormentas
Melancólico eras tu, ó cavaleiro!
Melancólico e longe de toda a sinfonia,
E pensavas em tua própria liturgia,
Aquilo que tu mais desejavas, ó escudeiro!
Cristais correm tortuosos em teu rosto,
E teus rubros lábios se abrem ao cantar:
"Onde estás, vida? Onde andas a peregrinar?
Onde estás, senhora? Onde fica o teu posto?"
Sim, amei-te, ó minha humilde Dama,
Amei-te por toda a tua altíssima nobreza,
Mas sucumbi em minha amarga crueza,
E devo tornar esta minha própria lama.
Farei dos longos Alpes meu eremitério,
Para que eu te prive da minha escória.
Os altos cumes de minha vida inglória
Escondem de ti as ruínas do império.
Friedrich Schlegel — Alarcos (1802). Traduzido por um amigo
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A Tarefa Comum, a Tradição e o Progresso.
- V. Solovyev. Justificação do Bem. X. 5.
O progresso moral só pode consistir em um cumprimento melhor e mais abrangente dos deveres que decorrem da tradição. [...] Se a pedagogia deve basear-se num princípio universal positivo, indiscutível do ponto de vista moral e que confira valor absoluto aos seus objetivos, ela só pode encontrá-lo no vínculo indissolúvel entre as gerações que se apoiam mutuamente na promoção de uma tarefa comum — a tarefa de preparar a revelação do reino de Deus e a ressurreição universal.
- V. Solovyev. Justificação do Bem. X. 5.
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O progresso, ou melhor, o decurso da história em sua relação com os valores transmitidos entre gerações, geralmente, é mais uma fatalidade que um valor, ele acontece e somos obrigados a lidar com isso. O autor argumenta contra o formalismo moral, contra o relativismo, e em favor da continuidade da essência da moral, caracterizada pelo ideal religioso e pelo vínculo geracional.
Shankara sobre os Ritos
- Brhadaranayaka Upanishad Shankara Bhashya. I. 3. 28.
Assim, foi afirmado que a meditação e os ritos juntos levam à identificação com Hiraṇyagarbha. Não há possibilidade de dúvida quanto a isso. Portanto, surge a dúvida se, na ausência de ritos, a meditação sozinha pode levar a esse resultado ou não. Para saná-la, o texto diz: Esta meditação na força vital certamente conquista o mundo (Hiraṇyagarbha), mesmo que esteja dissociada dos ritos. Ele não precisa orar para não ser inadequado para este mundo, pois aquele que já realizou sua identidade com Hiraṇyagarbha não pode orar para alcançá-lo. Um homem que já está em uma aldeia não está ansioso para saber quando chegará lá, como um homem que está em uma floresta. A expectativa é sempre sobre algo remoto, algo além de si mesmo; é impossível em relação ao próprio eu. Portanto, não há chance de ele temer perder a identificação com Hiraṇyagarbha.
- Brhadaranayaka Upanishad Shankara Bhashya. I. 3. 28.
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Pré-socratismo Americano
-Nímio de Anquin. El ser visto desde America
Nessa linha, de filosofar engajado ou imitativo, as possibilidades, embora poucas, são reais e estão ligadas ao aumento da europeização e a uma participação mais íntima e essencial em seu espírito. Aqueles que trabalham nessa linha devem fechar um pouco os olhos para a realidade circundante que, como uma matilha de cães, cerca o pensador atemporal, e fixar sua atenção especulativa na tradição greco-medieval ou na filosofia do Espírito Absoluto, que são as duas possibilidades que, em última análise, e sob a multiplicidade de escolas, são oferecidas à Europa. Mas aqueles que filosofam genuinamente como americanos não têm outra opção senão o pensamento elementar dirigido ao Ser objetivo-existencial, à realidade fantasmagórica e ininteligível, carregada de potencial e máxima intencionalidade. E esse pré-socratatismo americano será, no fim, uma contribuição efetiva para a recuperação do sentido greco-medieval do ser.
-Nímio de Anquin. El ser visto desde America
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O Último Arconte ♄
Pré-socratismo Americano Nessa linha, de filosofar engajado ou imitativo, as possibilidades, embora poucas, são reais e estão ligadas ao aumento da europeização e a uma participação mais íntima e essencial em seu espírito. Aqueles que trabalham nessa linha…
Aqui o autor dá dois caminhos para o pensador americano: seguir filosofando como um europeu ou transpor a novidade da América à filosofia e inaugurar um descobrimento do Ser nestas terras, como os pré-socraticos, não alienados pela abstração, mas absortos nesse desvelar parmenidiano que Heidegger fala. Talvez essa novidade, esse redescobrimento da filosofia pelo genius loci da terra descoberta seja a chave para a restauração do que se perdeu no Velho Mundo... A possibilidade de rejuvenescimento.
O Último Arconte ♄
Aqui o autor dá dois caminhos para o pensador americano: seguir filosofando como um europeu ou transpor a novidade da América à filosofia e inaugurar um descobrimento do Ser nestas terras, como os pré-socraticos, não alienados pela abstração, mas absortos…
O A. Buela vai se basear nisso aqui para dizer que a noção cultural/civilizacional do iberoamericano deve se dar nos mesmos termos, objetivo-existencial, devemos formar essa noção pelo que somos (existencial), mas especialmente por nosso contexto (objetivo), não se é ibérico, ou seja lá o que for, nas Américas, se é outra coisa, definida pelo contexto, conhecer esse contexto nos é fundamental. Apenas nessa reflexão a partir do outro podemos voltar a nós mesmos e nos conhecermos, nossa grande vantagem é que o nosso "eu" não está em uma noção identitária já formada, mas em algo atual e em formação, e cabe a nós, conhecendo a nós mesmos, cultivarmos o que está se desenvolvendo.
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É lícito desprezar as leis estabelecidas pelo diabo.
- Orígenes. Contra Celso
Portanto, é razoável formar convenções contra as leis estabelecidas para a defesa da verdade. De fato, se para expulsar o tirano usurpador do poder da cidade, as pessoas formassem convenções secretas, o ato que praticariam seria honesto. O mesmo sucede aos cristãos: sob a tirania daquele que é denominado diabo, e da mentira, formam convenções desprezando as leis estabelecidas pelo diabo, contra o diabo, e para a salvação das outras pessoas que eles podem convencer a se livrarem daquilo que é como uma lei de citas e de tirano.
- Orígenes. Contra Celso
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Forwarded from Alexandria Apócrifa
Apocatástase em Máximo que não implica em Salvação Universal para todos.
_ São Máximo, o Confessor - Centúrias sobre a teologia e a economia da encarnação do Verbo de Deus - Sexta Centúria - Cap. 55
Quando vier o Juízo, a razão da natureza será a balança que pesará cada pensamento, pois ela mostra o movimento que pende para mal ou para o bem, movimento segundo o qual se dá ou não a participação na vida divina. Com efeito, por sua presença, Deus manterá no ser e no ser eterno a todas as criaturas. Mas não o fará de um modo particular, no ser eterno pleno de felicidade, senão aos anjos e aos santos homens, deixando aos que não o são o ser eternamente infeliz, como o fruto alterado de seus pensamentos.
_ São Máximo, o Confessor - Centúrias sobre a teologia e a economia da encarnação do Verbo de Deus - Sexta Centúria - Cap. 55
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Está chegando rapidamente o momento em que todos terão que se perguntar se o “progresso” foi realmente progresso ou se foi uma “reação” perversa, um afastamento do significado do universo e dos fundamentos autênticos da vida.
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Onde não há Deus, não há Homem, é isso que aprendemos com a experiência.
— N. Berdyaev. O Fim de Nosso Tempo. II, 1-2.
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